Candidato da UP ao Senado aponta desindustrialização do ABC Paulista e defende indústria 100% nacional

O militante e operário metalúrgico Márcio Alves, da Unidade Popular (UP), conversou com a reportagem dentro da Ocupação Palestina Livre, mantida pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) em Diadema, no Grande ABC Paulista. Instalada em um antigo hospital privado, a ocupação completa um ano.
Segundo Alves, o prédio pertence a um devedor da prefeitura e nunca teve função social. O movimento diz enfrentar ação civil pública, tentativas de despejo e criminalização por parte da gestão municipal.
Natural da Bahia, Márcio mudou-se para São Paulo na infância, passando a residir no Grajaú, na zona sul da capital. Em 1998, a família foi viver em uma ocupação em São Bernardo do Campo, onde sua mãe mora até hoje. Ele conheceu o MLB em 2008, onde passou a integrar a coordenação de núcleos habitacionais. Começou a carreira no setor metalúrgico como operário prensista.
Se eleito, Alves afirma que sua atuação priorizará destinar imóveis urbanos ociosos para programas de habitação de interesse social, aplicando IPTU progressivo e desapropriações previstas em Lei.
O candidato critica o modelo de financiamento habitacional focado na iniciativa privada e defende o fortalecimento do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, no qual a gestão das obras é realizada diretamente por associações e movimentos populares. Ele relatou que um terreno do próprio movimento em Diadema, com projeto aprovado na Caixa, aguarda há quatro anos a liberação de recursos.
Alves também se posicionou contra o avanço de empreendimentos do tipo studio ou kitnet (com metragens inferiores a 20 m²) em áreas centrais de São Paulo.
Ele atribui a proliferação desses modelos às diretrizes da gestão municipal paulistana, argumentando que a prática atende a interesses de fundos imobiliários e bancos, sem oferecer moradia adequada para famílias ou população cadastrada em programas habitacionais.
Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Márcio defende que magistrados passem a ser escolhidos por voto popular direto, após comprovação de capacidade técnica e sabatina pública.
Para ele, o atual formato de indicações pelo Executivo produz "juízes que advogam para quem está de plantão no governo", e a eleição seria também uma barreira contra regalias e oportunistas.
Sobre o Grande ABC, o candidato destacou o esvaziamento do parque fabril e o declínio de postos de trabalho qualificados.
Como exemplo, citou a montadora chinesa BYD.
Além disso, o candidato defende a escala 4 X 3 sem redução salarial e, quanto ao impacto para pequenos negócios, afirma que a medida deve alcançar principalmente os grandes grupos.
Segundo ele, tais avanços poderiam ser viabilizados via auditoria e suspensão da dívida pública.
O candidato é contra classificar organizações criminosas como terroristas, para não abrir margem para intervenções de agências e governos estrangeiros no país.
Para Alves, o combate ao crime organizado deve priorizar ações de inteligência e o estrangulamento financeiro do tráfico de drogas em setores de alta renda e no sistema financeiro, como a região da Faria Lima, em São Paulo, além do reforço na fiscalização de fronteiras.
O militante da UP também critica a tese do "voto útil" no primeiro turno, avaliando que o conceito desestimula o debate sobre propostas estruturais.
"Esse voto útil é para botar medo nas pessoas, medo de votar no que elas acreditam. Não dá para querer mudança com o mesmo no poder", disse. O candidato defende ainda retomar instrumentos de democracia direta previstos na Constituição, como plebiscitos e referendos.

Fonte: Sputnik Brasil.

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