O executivo passou a visitar o hospital regularmente – sempre antes do trabalho, por volta das 7 da manhã. "No começo não foi fácio. Sentava para contar histórias e apenas duas ou três crianças se aproximavam para ouvir. Com o tempo fui descobrindo que só a leitura não era suficiente para prender a atenção deles e que era preciso transformar a história numa narração interativa. A formúla deu certo.
Hoje quando Cimino ou um dos contadores de história chega na pediatria, as crianças se reúne em roda, ansiosas para ouvir o conto do dia. Lucas, 5 anos, é um dos primeiros a se acomodar na mesinha. Ele faz tratamento no Emílio Ribas há dois anos e, segundo sua mãe, a dona de casa Rosemar, a presença dos contadores funciona como um estímulo para que ele queira ir ao hospital, o mesmo acontece com os irmãos Mateus, 5 anos e Giovana, 4 anos. "Antes a Giovana chorava quando tinha que tomar a medicação. Ouvindo as historinhas ela se distrai e fica mais tranquila", conta sua mãe, a dona de casa Fernanda.
O reconhecimento partiu também da direção do hospital, que diante da resposta positiva das crianças se convenceu da importância de humanizar o atendimento: trocou o cinza das paredes da ala pediátrica por core vivas e passou a abrir suas portas para outras iniciativas que pudessem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Não foi só o Emílio Ribas que teve de passar por reformas. O sonho de Cimino foi crescendo até não caber mais debaixo do braço: logo acupou todo o apartamento do publicitário, no bairro dos Jardins, que se transformou na primeira sede oficial da Ong "Atendia o telefone dizendo: ‘Viva e deixe viver, bom dia", conta ele, que no primeiro ano arcou sozinho com as despesas do projeto.
Novos personagens ajudaram a continuar essa história. A Ong, que completa dez ano neste mês, conta hoje com mil voluntários, quatro grandes patrocinadores – entre eles as multinacionais Colgate e Philips – e atua em 67 hospitais espalhados pelo Brasil.
O final não pode ser mais feliz: já são 220 mil crianças que reaprendem a sorrir e Cimino ainda concilia as atividades da Ong com o trabalho em comunicação, o que constrói a moral desse belo enredo: não é preciso ser um grande super-herói para mudar o mundo, apenas começar uma história.
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