Tem gente que nasce com ela, mas às vezes um grande esforço é que serve de estopim. Seja como for, a hérnia inguinal, o tipo mais freqüente, é bastante comum. Para você ter uma idéia, calcula-se que cerca de 5 milhões de brasileiros vivam às voltas com ela. Uma simples abertura no músculo que envolve as vísceras serve de brecha para que parte do intestino escape. Em geral isso ocorre naqueles pontos em que a parede muscular é mais fraca ou onde já existe um pequeno orificio por onde passam veias e artérias. No homem, por exemplo, o intestino costuma fugir pelo canal deferente, que leva o esperma produzido pela próstata. Aliás, isso explica a alta incidência no sexo masculino: 27%, contra apenas 3% na mullier.

Quando a hérnia não é congênita, pode escrever: um esforço fisico excessivo, seja carregando peso, seja exagerando na malhação, tem grande parcela de culpa. Uma vez que o músculo se rompe ou se alarga, não há volta. E aí, cada vez que a vítima faz força, como ao tossir, espirrar ou se levantar da cama, sente uma fisgada perto da virilha. Para algumas pessoas o desconforto surge só de ficar em pé. Antigamente resolvia-se o caso simplesmente costurando os músculos, mas o risco de recaída era grande. Como se trata de um tecido que já está fragilizado, pode se romper de novo com facilidade. "Não adianta amarrar gelatina", brinca o gastrenterologista Carlos Davi Nascimento, do Hospital São Luiz, em São Paulo. Assim, fica fácil entender por que a antiga técnica deu lugar a outra, que utiliza uma prótese uma espécie de tela para recobrir a área aberta.

A cirurgia é simples - e é bom que seja assim, pois não há outro tratamento. "Quanto mais o tempo passa, maior a chance de complicação", alerta o cirurgião Sérgio Szachnowicz, do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Em casos graves, o intestino pode ficar preso, interrompendo o fluxo sangüíneo. É a chamada hérnia estrangulada, complicação que pode ser fatal. "Se você não se decidir pela cirurgia, é a hérnia que vai tomar a decisão por você", avisa Paulo Carvalho, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

A estrutura tubular é gigantesca: são 15 metros de comprimento e 2,5 metros de diâmetro. Nada menos que 650 quilos de madeira e borracha formam um cenário impressionante que representa, nos mínimos detalhes, a engenhosa anatomia do interior do intestino, órgão que, junto com o estômago, se encarrega da digestão dos alimentos. A iniciativa é da Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), que escolheu São Paulo para inaugurar sua exposição itinerante. Sim, ela deverá percorrer outras cidades (para saber o roteiro, ligue para (11 3887-1757). A finalidade é abrir os olhos da população sobre o câncer de intestino - o terceiro maior responsável pelas mortes provocadas por tumores no Brasil.

Esse tipo tem predileção pela última porção do órgão, também conhecida como intestino grosso. O problema é que os indícios iniciais da doença costumam ser confundidos com males menos graves. A anemia, por exemplo, é um deles. Outros, também prosaicos, são fraqueza e náusea. Juntem-se a eles prisão de ventre, diarréia, gases e cólicas e pronto: acende-se o sinal de alerta. "Os sintomas variam conforme a localização do câncer", explica o oncologista Óren Smaletz, do Hospitallsraelita Albert Einstein, em São Paulo. "Se o tumor aparece no reto, a porção por onde saem as fezes pode deflagrar sangramentos", diz. Mas eles nem sempre aparecem.

A encrenca fica ainda maior quando a doença dá as caras em outras regiões do intestino. É que, nesses casos, ela age na surdina. Para flagrá-la, só mesmo exames específicos. "A colonoscopia é praticamente o único método que permite um diagnóstico preciso", afirma o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Júnior, do Hospital do Câncer, na capital paulista. O exame consiste na introdução pelo o ânus de um tubo com uma câmera de vídeo. O aparelho vasculha todo o órgão em busca de lesões suspeitas. "O câncer de intestino, que é mais freqüente depois dos 50 anos, pode ser causado por fatores genéticos ou por uma alimentação rica em gordura de origem animal", avisa a coloproctologista Angelita Habr-Gama. Atual presidente da Abrapreci, a médica é reconhecida por levantar a bandeira da prevenção desse tipo de tumor há muito tempo. "Fumo, vida sedentária e obesidade aumentam os riscos de ocorrência", ela ensina.