Se Flávio ganhar, Brasil poderá sair do BRICS sob exigência americana, diz analista do Clube Valdai

Um dos objetivos da reunião, que durará quatro dias – de 28 de setembro a 1º de outubro, é discutir o assunto de controlabilidade e previsibilidade da vida internacional ante a crise de instituições intergovernamentais.
Ao participar da abertura na segunda-feira (28), Fabiano Mielniczuk, professor de ciências políticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro do Clube Valdai desde 2013, foca a atenção de que o surgimento da inteligência artificial levou à invenção de novo mecanismo da prática política usada pelos líderes ocidentais. Conforme ele, o Estado liberal ocidental como um todo usa a IA e a ajuda dos grandes conglomerados tecnológicos para projetar seu poder sobre outros Estados e impor uma moralidade única.
No relatório deste ano "Sem pânico: o Estado e responsabilidade pelo futuro", apresentado durante a sessão de abertura na segunda-feira (28), os autores apontam caos como característica assustadora da atual política internacional. Porém, na opinião deles, o Estado serve como instrumento para proteger o ser humano de incertezas.
Em entrevista à Sputnik Brasil no âmbito da reunião, Fabiano Mielniczuk detalhou as conclusões do relatório anual, ressaltando o papel que o Estado voltou a desempenhar com o avanço do desenvolvimento tecnológico no mundo. Chegou a hora em que é necessário pensar em limites, já que a tecnologia traz tanto possibilidades ilimitadas como riscos infinitos, enfatiza ele.
Ao fazer o resumo, os atores do relatório mostram otimismo cauteloso, notando que as mudanças drásticas na arena internacional não é um desastre natural, mas sim um motivo para refletir por que as normas anteriores pararam de atender às novas exigências. Através das ações responsáveis é preciso garantir que o futuro seja melhor e não pior, concluíram.
O tema do desenvolvimento do BRICS e o crescimento de peso do agrupamento na arena internacional, inclusive após a adesão de novos membros, também não foi negligenciado pelos analistas às margens da reunião. O que acontece dentro do BRICS não é simplesmente o processo da desdolarização, destacou em entrevista à Sputnik Brasil Gustavo de Carvalho, chefe do programa em diplomacia e governança africana no Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais.
Para o analista, esse processo de diversificação de mecanismos serve para criar complementariedade em que membros transacionem internacionalmente de uma forma muito mais benéfica a si próprios.
Fabiano Mielniczuk acrescentou também que o BRICS, apesar de não ser uma aliança militar, serve como uma plataforma de coordenação dos seus membros, inclusive membros que têm problemas militares. Ele lembra episódios entre a China e a Índia, os Emirados Árabes Unidos e o Irã, a Etiópia e o Egito, que tinham pontos de discordância, mas que foram ou estão sendo intermediados dentro do BRICS.
O lema da reunião do Clube Valdai deste ano é "Responsabilidade pelo futuro: limites do possível ou possibilidades ilimitadas?", e deve estar ressoando com todos os brasileiros que decidirão seu futuro na eleição geral já neste fim de semana.
Fabiano Mielniczuk prevê dois cenários que podem ser vislumbrados. Caso o presidente atual seja reeleito, na opinião do analista, o Brasil terá uma postura mais corajosa em busca de aliados.
Entretanto, a vitória de Flávio Bolsonaro, um candidato bem alinhado aos EUA, mudará os rumos brasileiros, afirma o professor, avaliando uma possível trajetória do país sob novo comando.

Fonte: Sputnik Brasil.

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