É nesse cenário que ganha força a Pax Silica. Trata-se de uma iniciativa dos Estados Unidos para blindar e priorizar suas próprias empresas, como as big techs do Vale do Silício, na corrida tecnológica mundial. Essa estratégia, contudo, transborda para uma disputa geográfica por minerais críticos e envolve pesadas sanções contra países rivais. A análise é do doutorando em geografia Alexandre Perez, em entrevista à Sputnik Brasil.
Nesse sentido, o pesquisador também aponta que as sanções impostas por Washington podem gerar efeitos colaterais para o próprio país. No âmbito da disputa tecnológica, ao tentar isolar Pequim, os EUA acabam se privando do acesso a inovações e novidades desenvolvidas pela China, uma de suas rivais na geopolítica.
Outro ponto levantado por Perez é que Moscou e Pequim, apesar das sanções ocidentais, despontam na produção de tecnologia autóctone e se consolidam como uma alternativa para países do Sul Global que buscam soberania.
O analista internacional cita como exemplo a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês), criada pela China e que reúne diversas nações como membros fundadores, incluindo o Brasil e a Rússia.
Brasília, que também integra a WAICO, ocupa outro espaço relevante na corrida tecnológica com o sucesso do Pix. Como enfatiza Perez, o sistema brasileiro incomodou o governo de Donald Trump, sob a alegação de que a inovação prejudica o mercado e as empresas norte-americanas.
Em um mundo multipolar, a tecnologia é crucial para a soberania dos Estados nos níveis econômico, político e militar. As ferramentas na palma da mão do cidadão comum também servem para rastrear comportamentos. Por isso, controlar esse novo fluxo tecnológico tornou-se vital para se proteger e projetar poder no cenário internacional.
Fonte: Sputnik Brasil.




