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Após uma fuga cercada de sigilo e informações contraditórias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a Miami com a esposa e as duas filhas e divulgou uma carta em que inicialmente se apresentou como “verdadeiro presidente do Brasil”, apesar da derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições. Minutos depois, alterou o texto, substituindo a expressão por “líder do Brasil”, mas manteve acusações sem provas contra o processo eleitoral.
Segundo apuração de um jornal de grande circulação no país, o documento teve ao menos quatro versões diferentes, publicadas tanto pelo próprio senador quanto por aliados próximos. Em algumas delas, Flávio afirmava ser o “verdadeiro presidente eleito” e alegava que teria presenciado uma suposta fraude eleitoral. As acusações reproduziam narrativas difundidas por setores mais radicais do bolsonarismo, sem apresentação de qualquer evidência.
Na carta, o senador atribuiu a derrota a decisões da Justiça Eleitoral, especialmente à prorrogação do horário de votação em algumas localidades. Ele afirmou que essa medida teria permitido um crescimento “impossível” da votação de Lula entre os dois turnos. No entanto, o argumento já havia sido contestado por dados oficiais do Tribunal Superior Eleitora (TSE), e o próprio Partido Liberal (PL) acabou desistindo de apresentar ação para anular o resultado.
A manifestação provocou reações de distanciamento entre aliados políticos. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, afirmou que nem ele nem o partido podem sustentar alegações de fraude eleitoral e, mais cedo, disse ter sido pego de surpresa pela saída de Flávio Bolsonaro do país e declarou desconhecer seu paradeiro.
Mesmo contando com a simpatia de líderes conservadores estrangeiros, Flávio não recebeu respaldo explícito para contestar a eleição. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende se envolver na crise política brasileira, embora tenha reconhecido que o governo norte-americano autorizou a entrada do senador no país. Trump limitou-se a dizer que a disputa eleitoral foi “muito estranha”.
O texto divulgado por Flávio também agradeceu ao presidente argentino Javier Milei e a Trump pelo apoio durante sua saída do Brasil. Segundo o senador, Milei teria contribuído com “coragem” e Trump com acolhimento. Nenhum dos dois, porém, reconheceu publicamente a vitória de Lula, embora também não tenha havido envolvimento direto na contestação do resultado eleitoral.
Até agora, a trajetória que levou Flávio aos Estados Unidos foi marcada por rumores, versões conflitantes e tentativas de despiste. Segundo analistas e observadores, acredita-se que ela possa ter sido planejada com alguma antecedência.
Mas a fuga gerou controvérsia porque ocorreu após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para que o senador entregasse seus passaportes a pedido da Polícia Federal (PF), medida adotada diante do risco de evasão. Flávio, porém, deixou o país utilizando seu passaporte italiano. Segundo a PF, ele não é considerado foragido, pois não havia contra ele ordem de prisão em vigor.
Diversos pontos da operação continuam cercados de dúvidas, incluindo o momento exato da entrada da família Bolsonaro na Argentina e o papel desempenhado por autoridades locais. Enquanto isso, a divulgação de informações falsas e contraditórias por pessoas próximas ao grupo reforçou suspeitas de uma estratégia deliberada para ocultar o trajeto do senador e facilitar sua chegada aos Estados Unidos.
Fonte: Sputnik Brasil.
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