Envio de drones dos EUA para a América do Sul também coloca o Brasil como alvo, diz analista (VÍDEOS)

Nesse sentido, Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), pontuou em entrevista à Sputnik Brasil que a movimentação estadunidense coloca o país na mira política direta.
Às vésperas da eleição presidencial de 2026, o Brasil se vê cercado por vizinhos alinhados à órbita de influência estadunidense, cuja atual administração frequentemente carimba o governo brasileiro como incapaz de combater o narcotráfico. Dessa forma, a transferência dos drones também funciona como uma clara sinalização de pressão política militarizada na região.
Outro ponto destacado pelo analista é o risco imposto ao próprio Mercosul. A intensificação da presença militar, promovida sob a justificativa de combate ao narcotráfico em países parceiros de Washington, tem o potencial de desgastar as relações diplomáticas intrabloco, tensionando a cooperação política entre os Estados-membros.
Nesse contexto, Modolo, que também é especialista em organizações militares, aponta que a chegada de drones de ataque de alta tecnologia abre um precedente inédito na América do Sul. A presença dessas aeronaves não tripuladas eleva ainda mais a temperatura geopolítica em uma região já tensionada pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro deste ano.
Para o pesquisador, o possível emprego desses drones também tende a multiplicar os chamados "danos colaterais", como as incursões anteriores dos EUA na costa venezuelana que resultavam em erros de identificação, nos quais pescadores locais acabavam vitimados sob a falsa alegação de envolvimento com o narcotráfico.
Modolo também detalha as características do MQ-9 Reaper, destacando que o drone introduz uma assimetria tecnológica, já que se trata de uma plataforma capaz de operar em missões de longa duração, combinando sensores avançados de vigilância e reconhecimento com uma capacidade letal de ataque e carregamento de armamentos pesados.
No sistema-mundo atual, a capacidade bélica não atua somente como um mecanismo de dissuasão militar. Ela opera também como um instrumento de coerção política desenhado não apenas para encurralar governos específicos, mas igualmente para moldar a opinião pública em torno de uma determinada narrativa.

Fonte: Sputnik Brasil.