Eleições de 2026 inauguram nova fase na comunicação da esquerda, avalia especialista

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Diante das mudanças no cenário político e na relação da população com o debate público, a cientista política e professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) Luciana Santana avaliou os desafios que se colocam para a esquerda a partir de 2027 na maneira de se comunicar, mobilizar e se conectar com a sociedade.
Em entrevista para a Sputnik Brasil, ela ponderou que a guinada para a vitória de Lula ocorreu quando ele conseguiu integrar estratégias tradicionais de mobilização de massa com as da contemporaneidade.
O trabalho nas redes de maneira articulada com as manifestações de rua foram tidos cruciais para a queda no número de abstenções, o aumento de votos em colégios eleitorais importantes, como Minas Gerais, a mobilização de jovens e de pessoas idosas, pontuou.
Ao lembrar que no próximo mandato, Lula terá que negociar com uma maioria inédita de partidos da oposição de direita e extrema-direita, ela ressaltou que as redes sociais podem ser estratégicas na mobilização permanente da sociedade de pautas nacionais e políticas públicas.
A estratégia comunicacional do Executivo “tem que mudar”, destacou, e demandará transformação digital do governo para comunicar feitos, realizações de propostas, bem como responsabilizar parlamentares sobre determinadas agendas do governo.
A comunicação também deve priorizar parte da oposição que é capaz de dialogar para garantir governabilidade. Santana acrescentou que dentro do PL, partido do rival derrotado Flávio Bolsonaro, há brecha para diálogos.
A cientista política acrescentou que os partidos de centro-esquerda conseguiram com as redes sociais espaço de diálogo, de interlocução com setores da sociedade que não tinham até então.
A professora acrescentou que, dada a influência das big techs nas eleições, é fundamental desenvolver um arcabouço jurídico que proteja a soberania e autonomia do país. “Essa eleição deixou muito evidente o quanto que o país está refém dos interesses das grandes corporações, das big techs, de lideranças mundiais que muitas vezes não são responsáveis.”
Nesse processo, diz, não poderá ser feito apenas na esfera da relação política institucional entre Executivo-Legislativo, mas sim através do diálogo com a sociedade.

Fonte: Sputnik Brasil.

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