William Teixeira, candidato ao Senado por São Paulo pelo Agir, disse em entrevista à Sputnik Brasil que o partido orientou seus candidatos a se alinharem ao campo do Partido Liberal (PL) na eleição presidencial e que, se a orientação for mantida, ele deve apoiar Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Agir é um partido político brasileiro, fundado em 1985 como Partido da Juventude (PJ). Passou a se chamar Partido da Reconstrução Nacional (PRN) em 1989, pelo qual Fernando Collor foi eleito presidente naquele ano, depois Partido Trabalhista Cristão (PTC) em 2000, e finalmente Agir em 2022. Collor renunciou em 1992 durante seu processo de impeachment.
Teixeira, que diz estar no partido desde 2022, afirmou que poucas vezes ouviu o tema em reuniões internas e que a lembrança da eleição é positiva, mas com ressalvas.
"Ao mesmo tempo que vem aquela euforia, vem um pouquinho de uma, como se fosse uma ducha de água fria, porque poderia ter sido melhor", disse, ao relatar a percepção de dirigentes. Sobre sua avaliação pessoal de Collor, declarou: "Minha avaliação é neutra. Nesse ponto, para mim não muda nada, porque hoje você é obrigado a estar em algum partido para ser candidato".
Questionado sobre o segundo turno presidencial deste ano, o candidato respondeu que "o partido não apoiou, mas orientou o lado do PL". "Está orientando para a gente, tanto que, ontem, tiramos fotos com o Flávio Bolsonaro e o Tarcísio [de Freitas], então nós estamos seguindo a orientação do partido."
Ao avaliar o cenário nacional, Teixeira disse que a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro tem lado positivo por definir posições, mas defende uma terceira via.
Eletricista, técnico em Eletromecânica e formado em Direito, Teixeira já concorreu por Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Partido dos Trabalhadores (PT), sem se eleger. "O que eu carrego é sempre o lado positivo de tudo."
Agora, diz, "é uma campanha muito difícil, muito difícil mesmo, porque é uma campanha sem dinheiro". Teixeira diz que a mídia "não tem sido isonômica" e concentra a atenção em candidatos mais bem colocados.
O candidato citou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 50 mil, o fim do IPVA progressivo e a instalação de energia solar em telhados de famílias de baixa renda, área em que atua profissionalmente.
Ele admitiu possível conflito de interesse com concessionárias, como a Enel, mas disse que o país pode chegar a 2040 com 100% de energia limpa e renovável. Sobre a origem dos recursos, afirmou que o tema precisa ser analisado conforme a Constituição, "para que a gente não possa atropelar nada".
Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Teixeira criticou decisões monocráticas e disse que o tribunal se politizou.
Na pauta trabalhista, disse que vota pelo fim da escala 6x1, por ser "fundamental para o trabalhador", mas defende compensação para micro e pequenos empresários.
Sobre a desistência da candidatura de Ricardo Salles, disse ter ficado surpreso e avaliou que "vai sobrar espaço" para ele e outros candidatos. Aos 41 anos, Teixeira afirmou que pretende seguir na política independentemente do resultado.
Fonte: Sputnik Brasil.




