Em entrevista à Sputnik Brasil, Eden Pereira, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS), explicou que o avanço de Burkina Faso alinha-se às diretrizes da Aliança dos Estados do Sahel (composta também por Níger e Mali), que rompeu com o Ocidente, especialmente com a França, cuja herança colonial historicamente estruturou um sistema que barrava o desenvolvimento local.
O analista internacional aponta que, ao assumir o refino do ouro, Ouagadougou destoa da dinâmica regional. A lógica histórica no continente africano é a de que empresas estrangeiras dominem essa cadeia, explorando e processando diretamente os metais preciosos fora do território local.
Outro ponto levantado por Pereira é que a cooperação entre os países do Sahel, como Burkina Faso, e potências como Rússia e China configura uma relação de mão dupla positiva. Sob essa ótica, a estabilização da nação africana não apenas consolida sua soberania, mas também abre um promissor mercado para investimentos russos e chineses na região.
O pesquisador também enfatiza que o refino próprio do ouro não resolverá todos os problemas enfrentados pelo governo de Traoré. No entanto, a medida funciona como uma plataforma estratégica capaz de estimular o crescimento econômico local e atrair novos investimentos externos.
A consolidação da RAFFINOR-BF em território burquinense, para Eden Pereira, não funciona apenas como o motor de um eventual processo de industrialização, mas também eleva a nação africana a um novo patamar geopolítico ao consolidar a sua autonomia.
Uma das principais características do mundo multipolar é a ascensão das economias emergentes do Sul Global. Esse movimento se opõe e enfraquece o antigo modelo hegemônico, imposto por grandes potências com o propósito de explorar nações de menor projeção econômica a ponto de violar sua soberania.
Fonte: Sputnik Brasil.




