Os líderes de nações, reunidos na sede da ONU, expressarão suas posições quanto ao futuro da organização e os principais problemas de escala global. Segundo uma longa tradição, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro a falar, seguido pelo presidente do país onde fica a sede da ONU, Donald Trump.
O presidente Lula iniciou a fala destacando que este é o momento mais crítico das Nações Unidas, avaliando que a ONU está falhando em uma de suas missões, "a de livrar a humanidade do flagelo da guerra".
O presidente reforçou que é preciso realizar negociações para se atingir a paz em meio a guerras e ao aumento das tensões internacionais, mas sobretudo, atuar para evitar conflitos. Neste sentido, ele afirmou que a ONU precisa recuperar sua capacidade de diálogo e mediação, e isto passa pela reforma no Conselho de Segurança da ONU.
"Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", prosseguiu.
O presidente brasileiro mencionou ainda o conflito na Faixa de Gaza, criticando mais uma vez a atuação de Israel no contencioso e expressando profundo pesar pelas vítimas, que em sua maioria são mulheres e crianças.
Ainda no bojo dos conflitos, o presidente aproveitou a ocasião para destacar o combate contra o crime organizado e enviar um recado que pode ser endereçado aos EUA.
O presidente lembrou que em 2025, o governo realizou a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil, declarando que houve recorde de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos e que todos os escalões da criminalidade, inclusive os chamados magnatas do crime, estavam sendo enfrentados e que o combate à corrupção continuará de forma implacável, "doa a quem doer", enfatizando que, na sua visão, ninguém estaria acima da lei.
A discussão política geral, que durará uma semana, será aberta com discursos do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da Assembleia Geral.
Os debates gerais vão de 22 a 26 de setembro e terminam em 28 de setembro. Nas discussões participarão representantes de 193 Estados-membros da ONU, além de Estados observadores e da União Europeia. O tema da 81ª sessão é "restaurar a confiança, gerenciando a mudança: as Nações Unidas, trabalhando para o benefício comum".
Lula afirmou ainda que "os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos" e citou que, os governos, ao capitularem "frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem", testemunham "consequências nefastas", em referência indireta à política de tarifas dos EUA.
Na agenda ambiental, o presidente reforçou a posição tradicional do Brasil.
Na esfera tecnológica, Lula afirmou que vivemos "uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades", e lembrou que "seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial."
O presidente, contudo, não se limitou a expressar opiniões sobre o panorama político internacional e aproveitou a oportunidade para mencionar lutas de seu governo que deveriam ser, em suas palavras, "abraçadas" pelo mundo, como o combate ao feminicídio. Ele mencionou ainda que o Brasil segue firme no caminho do fortalecimento de suas instituições democráticas e remeteu uma mensagem ao povo brasileiro, em época de eleição.
"No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo", afirmou o presidente mencionando o desafio das redes de desinformação e enaltecendo o "sistema eleitoral moderno e robusto" que o país possui.
Fonte: Sputnik Brasil.




