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Analistas consultados pela Sputnik fizeram um percurso histórico do vínculo até este 16 de outubro, quando se abriu “uma nova etapa”, segundo ambos os governos.
Na ocasião, eles assinaram acordos comerciais, de segurança e sondaram a questão marítima, reivindicação histórica com status constitucional no Estado Plurinacional, após reivindicação boliviana por recuperar um acesso soberano ao mar perdê-lo na Guerra do Pacífico (1879-1885).
Em 2018, a Corte Internacional de Haia decidiu que o Chile não estava obrigado a discutir esse tema com a Bolívia.
Ambos os mandatários concordaram sobre a importância dos países deixarem de “dar as costas” um ao outro para construir no futuro um vínculo que beneficie os dois povos.
Kast chegou a La Paz acompanhado de ministros e governadores de quatro regiões do norte chileno, onde o intercâmbio com a Bolívia é fundamental para o desenvolvimento das economias locais.
Declarado “hóspede ilustre”, presidente do Chile foi recebido com honras. Houve até apresentação do Batalhão de Colorados – unidade militar que lutou na linha de frente na guerra contra o Chile – que entoou o hino nacional do outrora inimigo.
Kast por sua vez convidou seu homólogo a visitar o Chile em 2027.
Já o chefe de Estado boliviano declarou: “O passado foi de conflito. O presente e o futuro têm que ser de desenvolvimento.”
Segundo o governo boliviano, os pactos abrangem a cooperação em mineração, sobretudo lítio, para o intercâmbio de experiências e informações sobre exploração. Também atualizaram o Acordo de Complementação Econômica estabelecido em 1993.
A interconexão de fibra óptica também esteve na pauta, com possibilidade de construir cabos submarinos do Pacífico e melhorar a conectividade boliviana, bem como a integração energética.
Kast e Paz compartilham posições ideológicas, que se traduzem em sua participação na iniciativa do Escudo das Américas, criado pelo presidente estadunidense Donald Trump.
Em diálogo com a Sputnik, o analista internacional Toshiro Miki destacou que as afinidades ideológicas foram decisivas para a aproximação, assim como a atual situação hemisférica com forte presença dos Estados Unidos e a criação do Escudo das Américas.
Ele recordou que mais de 50% das reservas mundiais de lítio se repartem entre Chile, Argentina e Bolívia, cujos governos atualmente estão em sintonia com os interesses de Washington.
Além do canal do Panama, ponderou os corredores bioceânicos na América do Sul, de que fazem parte Bolívia e Chile, são importantes para a geopolítica estadunidense.
O analista Álvaro del Pozo destacou que durante os governos do MAS não houve avanços de verdade nessa relação, mas salientou que essa relação deveria se tornar estratégica:
Para Del Pozo, ambos os governos deveriam se concentrar no respeito ao Tratado de 1904, no qual o Chile se comprometeu a garantir o livre trânsito da mercadoria boliviana:
Fonte: Sputnik Brasil.
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