Carne brasileira vai pagar tarifa de 67% para entrar na China

A medida preocupa frigoríficos e pecuaristas, que já avaliam antecipar abates e embarques para aproveitar a cota de 2027. Cota chinesa faz exportação de carne bovina recuar 27,1% em agosto. China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$60 bi em mercadorias. Brasil e EUA criam grupo específico para negociar tarifaço. Impacto imediato O país asiático é o principal destino da carne bovina brasileira e ganhou espaço significativo nas exportações do setor na última década. De 2016 a 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina à China, movimentando US$ 42,3 bilhões. O volume saltou de 164,9 mil toneladas, em 2016, para 1,6 milhão de toneladas, em 2025. A concentração das vendas no mercado chinês aumenta a preocupação do setor com os efeitos da sobretaxa sobre o fluxo de caixa dos frigoríficos. Estratégia para 2027 Diante da perspectiva de esgotamento rápido da próxima cota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute a possibilidade de que as empresas antecipem a produção e os embarques: abates podem ser realizados ainda em outubro; embarques estão previstos para novembro; a viagem marítima entre os dois países leva de 40 a 45 dias; a expectativa é que a carne chegue à China em janeiro de 2027. A estratégia permitiria utilizar a cota do próximo ano logo no início de sua vigência. O ritmo das compras chinesas, porém, também será determinante para os negócios. Pressão sobre frigoríficos Segundo a Abiec, os efeitos da restrição começaram antes do esgotamento oficial da cota. Nos últimos meses, frigoríficos reduziram as vendas para a China e precisaram buscar compradores em outros mercados. A entidade também voltou a discutir com o governo uma divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta busca distribuir os embarques ao longo do ano e evitar que poucas empresas concentrem o volume disponível. Na terça-feira (29), a China autorizou mais duas unidades brasileiras a exportar carne bovina: uma de Minas Gerais e outra de Pernambuco. Protecionismo chinês A China adotou o sistema de cotas como medida de proteção ao mercado interno diante do aumento das importações. A sobretaxa não é exclusiva ao Brasil e afeta outros fornecedores. O mercado chinês enfrenta ainda um cenário de preços mais baixos da carne bovina e aumento da oferta doméstica. As importações chinesas do produto cresceram de menos de 1,5 milhão de toneladas, em 2018, para cerca de 2,8 milhões de toneladas nos anos recentes. O Brasil passou a responder por mais de 40% do volume importado pela China. A mudança ocorre em um momento de maior atenção do setor brasileiro às condições de acesso ao mercado chinês. A Abiec estima que as exportações totais de carne bovina do Brasil em 2026 recuem cerca de 10% em relação a 2025, num cenário que também inclui restrições adotadas pela União Europeia. Fonte: Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/carne-brasileira-vai-pagar-tarifa-de-67-para-entrar-na-china
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