Um caminho para o autoconhecimento

A carta astrológica de nascimento corretamente elaborada oferece a oportunidade de desvelar a estrutura e dinâmica da psique humana individual. Não determina o fado ou destino de um indivíduo de forma predestinada, mas delineia e indica as possibilidades de desenvolvimento potencial da personalidade, pois evidencia suas necessidades e habilidades, oriundas de uma disposição intrínseca e inata. É possível identificar a inclinação pessoal a determinadas categorias de experiências emocionais humanas e quais os mecanismos inconscientes estão envolvidos na produção de certos tipos de acontecimentos.

Se o psiquismo se tende a buscar de determinada experiência emocional, ele orientará a pessoa para a vivência de fatos que, em geral, produzem aquele específico tipo de emoção, formando assim, os padrões de repetição. Sincrônicamente, na astrologia, verifica-se que uma mesma configuração ou aspecto astrológico, seja na carta natal ou por trânsito, pode se manifestar em diferentes formatos ou eventos diversos, mas que despertam a mesma carga emocional da inclinação pessoal.

Em uma consulta astrológica, é possível observar e revelar estas tendências pessoais, as potencialidades, habilidades e dificuldades, e na astroterapia, possibilita dar continuidade, ampliar, conscientizar e trabalhar as questões levantadas. Não se trata de tentar "superar" as "influências" dos planetas, mas propiciar espaço na vida da pessoa para expressão e vivência das possibilidades e impulsos ali simbolizados, traçando um caminho consciente
de autoconhecimento e autodesenvolvimento integral rumo à autorealização, plenitude e felicidade.

No trabalho da astroterapia, utilizo o apoio dos conhecimentos e técnicas adquiridas em cursos de Pós-Graduação em Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, Psicossomática e Dependências, Abusos e Compulsões. Na verdade, todas estas especializações têm por base a abordagem de Jung, que é psicologia profunda, ou seja, trabalha o inconsciente do indivíduo, tanto a nível do inconsciente pessoal como do inconsciente coletivo, através dos arquétipos e mitologia e seus símbolos, grande ponto convergente com a Astrologia. Jung fundamenta sua teoria, em parte, nos complexos, que não tem nenhuma conotação negativa como o senso commTI tende a crer, por exemplo, o próprio ego (ou a noção de "eu") é um complexo, o complexo do eu.

Para ele, complexo é uma configuração de vários elementos (arquétipos) cujo cerne e substrato da tenacidade que os une é um afeto. Afeto é o que nos afeta. Parece óbvio (e é!!). Segundo Jung, "A base fundamental da psique é a afetividade. Pensar e agir são, por assim dizer, meros sintomas da afetividade" e ainda: "Todo acontecimento afetivo toma-se um complexo" e" ... por trás de todo complexo, existe um grande afeto". Assim, torna-se relativamente evidente, claro e detectável quando um complexo está ativo: é quando nos sentimos "afetados" e reagimos de forma desproporcional.

Na Astrologia, podemos considerar cada configuração de aspecto planetário como um "complexo", que tem no fundo um afeto, ponto de partida para o trabalho na astroterapia. Por exemplo: Kíron, aqui simploriamente sintetizado como uma "ferida existencial", em conjunção com a Lua (idem, a maneira como sentimos e reagimos emocionalmente) é uma "configuração típica" do afeto de "rejeição materna", o qual constela em tomo de si um complexo mais amplo de rejeição dirigido a outras figuras e circunstâncias de vida. Na astroterapia, pode-se trabalhar de forma mais ampla e profunda tais questões, sempre buscando o auto-conhecimento, expansão da consciência e plena realização do "si mesmo" ou Self.

Publicidade
Top Categories