Vista de longe, a calvície não deveria assustar. Afinal, fisiologicamente, o cabelo quase não tem utilidade. A ausência de fios não prejudica ninguém em termos de saúde. E gente calva por aí existe aos montes: todo mundo tem um calvo como amigo ou parente; ídolos do esporte raspam periodicamente a cabeça com orgulho; e há até uma marchinha de carnaval que proclama "ser dos carecas que elas gostam mais". "O cabelo é uma espécie de cunhado inútil, que apenas pede nutrientes ao organismo sem dar nada em troca", brinca Valcinir Bedin, medico tricologista (especialista em pelos) e presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo (SP). "Ele tem uma função fisiológica pequena: a proteção do couro cabeludo", completa.Mas a calvície vem incomodando muita gente talvez pela freqüência com que ocorre. Estima-se que 50% dos homens apresentam algum grau até os 50 anos. "Para certos autores não seria doença, porque mesmo com incidência alta, ela não e limitante. Contudo, segundo definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde e o bem-estar biopsíquico e social do indivíduo. Ora, o calvo não se sente bem socialmente", considera Bedin. "Acho que nenhum homem gosta de ser careca", reforça Denise Steiner, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia de São Paulo e co-autora, com o tricologista, do livro Viver bem com seu cabelo, Editora Kalys. "Ha quem se conforme com a situação e talvez alguns tenham até um certo charme. Mas percebo que, quando o processo começa, independentemente das causas, o paciente lutaria, se pudesse, para não ficar calvo." Razões qenéticas disparam o processo Cientificamente, a calvície recebe o nome de alopecia androgenética. E o que a provoca efetivamente e o fato da pessoa ter um gene, ou uma combinação de genes - a herança pode vir do lado paterno ou materno -, que, em determinado momento da vida, dá a ordem para que o processo ocorra. Valcinir Bedin estima que, no universo dos calvos, 95% sejam homens e 5% mulheres. Isso porque, além das razões genéticas, é necessária a presença do hormônio masculino para a calvície - e os homens o possuem mais do que as mulheres. “Eles só precisam ter o hormônio, e a genética dá conta do resto”, resume Denise Steiner.Em relação á idade, dizem os especialistas, 15% dos casos ocorrem antes dos 18 anos, 80% entre 18 e 30 anos e 5% depois dos 30. "O mais comum é o processo iniciar no momento em que os hormônios sexuais começam a ser fabricados", explica a dermatologista Ana Lucia Recio (SP).Contudo, ninguém vai dormir com cabelo e acorda careca. O fio vai ficando fininho ate tornar-se uma penugem, cuja estrutura não tem mais possibilidade de crescimento. Esse processo não e sincronizado. Ou seja: não se tem todos os fios comprometidos ao mesmo tempo e nem todo o couro cabeludo e afetado. A parte occipital, perto do pescoço, por exemplo, pouco sofre. Mesmo os indivíduos que ficam totalmente calvos têm cabelos nessa área. "Os homens iniciam a perda na parte frontal e/ou pelo vertex (topo da cabeça). As mulheres, por sua vez, não sofrem com a penúria na linha da frente, mas a cabeleira vai rareando por igual e é possível ver a pele do couro cabeludo em alguns pontos", conta Ana Lucia. Felizmente existem tratamentos eficientes não só para evitar como também para retardar o processo de desaparecimento de fios. Veja a seguir algumas dicas. Prevenção e tratamento Comece a cuidar logo que aparecerem os sintomas - Não importa se você tem 15 ou 50 anos: para a eficácia dos tratamentos pouco interessa a idade do homem e sim, a idade da calvície. Invista na medicação certa - A calvície pode ser tratada com o minoxidil e o 17 alfa estradiol (de aplicação local) e a finasterida (oral). o minoxidil, usado duas vezes ao dia durante o período necessário, estimula o crescimento do cabelo, pois age no folículo piloso (onde nasce o fio). Já a finasterida inibe a ação do hormônio masculino que leva a queda dos cabelos, ou seja, sua atuação acontece na esfera genetica. O 17 alfa estradiol teria a mesma ação bloqueadora. Não interrompa o tratamento - Sendo as causas genéticas, o tratamento deve seguir pelo resto da vida. Não dê ouvidos a crenças infundadas - Há quem tenha medo de se tratar por crendices tolas - como a de que certos medicamentos causam impotência. "Alguns pacientes podem, por questão bioquímica, manifestar diminuição na libido. Mas só acontece em 1,3% dos casos. E um efeito colateral pequeno e reversível", afirma Valcinir Bedin. Um pouco sobre a calvície feminina Embora menos freqüente e mais branda, a calvície costuma ser um grande problema para a mulher. Ela não chega a perder total mente o cabelo, mas sente um impacto emocional muito mais forte do que o homem. Felizmente, há soluções. Enquanto eles não podem usar medicamentos que afetem o hormônio masculino, para elas administra-se um grupo de drogas - chamadas antiandrógenos ¬para bloquear a ação destes hormônios que, sabe-se, causam o problema. O tratamento geralmente se da a base de substancias como a flutamida, a espironolactona ou o acetato de ciproterona.