Virada dá musculatura mundial a Lula, e brasileiros mostram força diante de pressões estrangeiras

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O atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conquistou na noite do último domingo (26) a reeleição presidencial após derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por mais de 4 milhões de votos de diferença.
O triunfo do petista o colocou em um patamar único na história brasileira. Além de se tornar o primeiro presidente a ser eleito quatro vezes de maneira democrática, Lula foi o único presidenciável a perder o primeiro turno e virar o pleito no momento de um contra um.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas declararam que a vitória de Lula eleva sua biografia em nível internacional e demonstra que os brasileiros podem enfrentar pressões estrangeiras em uma eleição marcada pela sombra de tarifas dos Estados Unidos e questionamentos contra big techs.
Jorge Chaloub, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), declarou que o mito sobre o petista cresceu mais após o pleito deste ano.
Enquanto “essa virada improvável fortalece” a imagem internacional de Lula, a derrota de Flávio “mancha um pouco a imagem do [secretário de Estado dos EUA] Marco Rubio”. E, apesar de o Brasil não ser um elemento central do ecossistema norte-americano, o não reconhecimento da vitória do petista cerca de 24 horas após o pleito soa “preocupante”.
Para Chaloub, Lula deverá ser habilidoso para lidar com as investidas americanas ao longo dos próximos anos. Na opinião do especialista, é necessário desescalar qualquer tipo de confronto.
Rogério Baptistini, sociólogo e professor da Mackenzie, pesquisador nas áreas de pensamento político brasileiro e do Estado e do desenvolvimento no Brasil, ratifica o comentário de Chaloub e destaca não só um triunfo eleitoral de Lula, mas uma vitória da democracia brasileira com uma postura altiva e soberana.
Sobre não ter a eleição reconhecida de imediato pelos presidentes de Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, Baptistini acredita ser uma questão política interna dos dois líderes, que enfrentam pleitos em breve: o norte-ameircano tem as eleições de meio de mandato na próxima semana, enquanto o argentino busca a reeleição no ano que vem.
O especialista também classificou o comentário de Donald Trump Jr., filho do presidenten norte-americano, que chamou Lula de próximo Nicolás Maduro, como ameaçador. O presidente da Venezuela foi sequestrado de dentro do palácio presidencial de Caracas em janeiro deste ano por uma tropa de elite das Forças Armadas dos EUA e levado para Nova York, onde está preso. No entendimento de Baptistini, a fala é feita a partir da notória resistência do petista a flexibilizar a exploração de terras raras no país.
A onda azul nas Américas, que recentemente ganhou nomes como José Antonio Kast, no Chile; Keiko Fujimori, no Peru; e Rodrigo Paz, na Bolívia, foi freada pelo triunfo de Lula no Brasil, justamente o país com a maior economia e população da América Latina. A imponência territorial e de habitantes, no entanto, não garantirá ao petista um deslocamento fácil na mesa de negociações dos colegas na região.
Para Chaloub, existe um interesse de Washington em esvaziar os grupos de cooperação e blocos das Américas, como a Comunidade Andina e o próprio Mercosul. O especialista acredita que Milei, focado mais na integração ocidental do que regional, pode agir dentro da instituição sul-americana como um peão de Trump.
O analista destaca que o Itamaraty, historicamente, é visto como um mediador de conflitos e imbróglios internacionais. Lula, por sua vez, leva adiante este legado nacional, mas o esvaziamento do multilateralismo requer que o Brasil priorize a indústria bélica caso queira ser ouvido.
Além da vitória de Lula, Baptistini elencou o governo da presidente do México, Claudia Sheinbaum, como um freio à direita na América Latina e um combustível para o campo progressista. O especialista ressalta que a esquerda deve aprender a disputar espaço não só nas ruas, mas também nas redes sociais.

Fonte: Sputnik Brasil.

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