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O advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), movimentou cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas on-line em 2025, segundo nota técnica do Ministério da Fazenda. A Polícia Federal investiga se as operações foram utilizadas para lavagem de dinheiro. Tomaz e Flávio são alvos de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
Documento da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), datado de 1º de outubro de 2026, aponta que Tomaz foi a pessoa física com o maior volume de depósitos em bets no Brasil em 2025, quase o dobro do registrado pelo segundo colocado. Segundo a pasta, ele também realizou saques de cerca de R$ 200 milhões na plataforma Blaze, operada pela Foggo Entertainment.
Os técnicos apontaram possíveis falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro da empresa, que classificou o advogado como cliente de risco médio, apesar do volume atípico de operações.
Comprovantes apresentados em uma ação judicial movida por Tomaz contra a Blaze indicam R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas em jogos de cassino ao longo de 2025. O resultado líquido foi negativo em R$ 163,2 milhões. Os valores incluem reapostas sucessivas dos mesmos recursos e não correspondem necessariamente a novos depósitos a cada rodada.
O advogado também apostou R$ 4,8 milhões na Bet7K, operada pelo grupo Ana Gaming, alvo da Operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Dados do Ministério da Fazenda indicam que Tomaz depositou inicialmente R$ 1,3 milhão, que gerou movimentações de R$ 4,3 milhões em jogos on-line. Desse montante, ele sacou R$ 426 mil. Segundo a investigação, o contador apontado como ligado ao PCC Rodrigo de Paula Morgado teria articulado o fluxo financeiro relacionado ao pagamento de licenças da Bet7K.
Os investigadores também identificaram transferências milionárias em criptomoedas envolvendo Morgado, a Ana Gaming e Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, conhecido como “Feio” e “Brabo”, apontado pela PF como ligado à casa de apostas.
A investigação sobre Tomaz e Flávio está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no STF, e deriva de uma apuração da PF sobre suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. Os investigadores encontraram indícios de que o advogado controla a Rede Loto, autorizada pelo governo do Rio de Janeiro a operar em maio de 2023.
A análise de dados obtidos após a quebra de sigilo telemático de Tomaz identificou mensagens e outros registros que indicariam proximidade entre ele e Flávio.
Em ação cível contra a Blaze, Tomaz alegou sofrer de ludopatia, condição associada ao vício em jogos, e pediu a devolução de R$ 163 milhões, apontando falhas no funcionamento da plataforma. Em 16 de outubro, a Justiça de São Paulo negou o pedido. O juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível, destacou que o próprio advogado teria solicitado condições especiais para apostas de alto valor, incluindo mesas exclusivas de blackjack.
Em nota, a defesa de Tomaz afirmou que os recursos utilizados nas apostas têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal. Segundo o advogado, os valores divulgados incluem reapostas sucessivas e não representam dinheiro novo. A defesa também negou qualquer vínculo societário ou comercial com a Bet7K ou seus controladores e classificou como “leviana e ofensiva” a tentativa de associá-lo ao crime organizado por ter utilizado uma plataforma autorizada.
Tomaz afirmou que adotará medidas judiciais contra a divulgação de informações que considera protegidas por sigilo. Após a divulgação da investigação no STF, Flávio Bolsonaro classificou o inquérito como “fake news”. A assessoria do senador não se manifestou sobre as informações relativas ao volume de apostas.
Fonte: Sputnik Brasil.
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