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As mensagens divulgadas pela Folha mostram que integrantes da empresa consideraram grave a situação em plena campanha eleitoral e demonstraram preocupação com possíveis questionamentos judiciais. Em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed do Instagram. A campanha estimou que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios e a empresa justificou uma falha técnica no gerenciador de anúncios.
As conversas internas mostram que funcionários nos Estados Unidos foram acionados para resolver o problema, mas a solução demorou horas. Integrantes da equipe reclamaram da falta de urgência dos engenheiros e pediram que o caso fosse classificado como uma ocorrência grave, que exigia resposta rápida. Em uma das mensagens, um funcionário afirmou que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio e alertou para a “alta chance” de haver uma ação judicial.
Já no WhatsApp*, usuários que procuravam pelo termo “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) após o resultado do primeiro turno das eleições, recebiam entre os resultados a “Tropa do Flávio”, ligado à campanha do senador, além do Partido dos Trabalhadores e o Canal do Lula. No Instagram, o perfil de Flávio aparecia em recomendações de busca, enquanto o de Lula não era exibido nem quando o usuário digitava o nome exato.
As regras eleitorais proíbem a recomendação algorítmica de perfis e canais de candidatos, que só podem aparecer nas buscas quando o usuário informa o nome exato da conta. Segundo as conversas obtidas pela Folha, funcionários reconheceram que a recomendação do perfil de Flávio não deveria ocorrer, enquanto a empresa atribuiu a ausência de Lula nas buscas, inicialmente, ao tamanho do nome utilizado, e informou que o problema havia sido corrigido.
A Meta também alegou que uma interrupção global de dados havia afetado mais de 3 mil contas em 7 de outubro. As mensagens internas, porém, indicam que esse episódio durou cerca de cinco horas, enquanto a restrição à conta de Lula ocorreu dois dias depois e se estendeu por quase 24 horas.
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou na última quinta (15) que a Meta não restrinja injustificadamente conteúdos políticos relacionados às campanhas do segundo turno das eleições presidenciais. A decisão também exige que a ferramenta de inteligência artificial da empresa, a Meta AI, aplique critérios iguais às duas candidaturas. Em caso de descumprimento, a companhia poderá ser multada em R$ 500 mil por dia.
A ação atende parcialmente a um pedido da campanha de Lula, que acusou a empresa de reduzir seletivamente o alcance de publicações favoráveis ao presidente e permitir a criação de conteúdos eleitorais relacionados ao adversário. Bellizze, no entanto, afirmou que ainda não há provas de manipulação deliberada dos sistemas para favorecer ou prejudicar qualquer candidatura.
A decisão também aborda denúncias de tratamento desigual na produção de imagens eleitorais pela Meta AI, ferramenta disponível no WhatsApp, Instagram e Facebook. A campanha de Lula apresentou ao TSE testes realizados em 13 de outubro, nos quais a inteligência artificial teria recusado pedidos para gerar imagens favoráveis ao petista, mas permitido a criação de peças de propaganda para Flávio Bolsonaro.
*plataformas proibidas na Rússia por extremismo
Fonte: Sputnik Brasil.
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