Para Astrid Cazalbón, analista argentina e pesquisadora do Grupo de Estudos sobre Segurança Energética (Gesene) da UFPB, Milei tem instrumentalizado de maneira oportunista a causa das Malvinas, um tema historicamente caro à população, como estratégia para mitigar sua impopularidade.
A especialista também relembra a profunda contradição no comportamento de Milei. O exemplo mais recente ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, após a vitória argentina contra a Inglaterra na semifinal. Na ocasião, os jogadores celebraram exibindo uma faixa afirmando que as Malvinas são argentinas. Inicialmente, Milei desaprovou o ato, rotulando-o como "patriotismo barato" e defendendo a separação entre futebol e política.
Embora os EUA e Israel façam acenos a Milei, o apoio real sobre as Malvinas é incerto. Diante das alianças históricas com Londres e do fato de uma petroleira israelense explorar o petróleo das ilhas, o triângulo diplomático ocidental limita qualquer ajuda prática, reduzindo as promessas a mera retórica, conforme explica Astrid.
A pesquisadora conecta o ultimato das Malvinas à abertura de Vaca Muerta ao capital norte-americano. Para compensar politicamente a entrega dos recursos energéticos do continente aos EUA, Milei usa a retórica nacionalista contra o Reino Unido, para limitar qualquer petrolífera que colabore com os projetos britânicos em Vaca Muerta.
Segundo a análise de Astrid, o Reino Unido evita polemizar sobre as Malvinas, que Londres reconhece como Falklands, para impedir que o tema ganhe projeção no cenário internacional. Nesse contexto, um governo como o de Milei, que não prioriza a soberania como política de Estado, acaba sendo útil aos interesses britânicos de alguma forma.
A história é recorrentemente instrumentalizada por governantes para demarcar posições, seja para o público doméstico, seja no tabuleiro geopolítico, e a disputa de narrativas pelas Ilhas Malvinas é um reflexo claro disso. No cenário atual, essa dinâmica da política interna argentina extrapola fronteiras, gerando repercussões extrarregionais.
Fonte: Sputnik Brasil.




