Fotógrafo Tomaz Silva, da Agência Brasil, vence Prêmio Vladimir Herzog

A fotografia retrata a dor de Fernanda da Silva Martins, ao abraçar o corpo do companheiro, e foi feita no Complexo da Penha, em outubro de 2025. A imagem foi republicada em jornais e sites do país e do exterior. Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio. Proteção de adolescentes desafia conselhos tutelares após megaoperação. Mães de mortos questionam operação no Rio: “Arrancaram o braço dele". “É na imagem de Tomaz Silva, da EBC, que essa tragédia mostra sua dimensão mais dolorosa, revelando a dor de quem perdeu os seus”, diz nota do relatório da comissão julgadora do prêmio. O fotógrafo Tomaz Silva conta que, no dia em que fez a fotografia, chegou cedo ao Complexo da Penha, por volta das 7h da manhã, e se deparou com os corpos estendidos no chão e o “cheiro forte da chacina”. Durante o dia, outras dezenas de corpos foram levados por moradores em caminhonetes e estendidos no asfalto. O profissional conta que foi impossível ficar indiferente ao sofrimento coletivo. “Quando eu fiz a foto, eu decidi me abaixar por entender que seria mais importante dar visibilidade às pessoas que estavam sofrendo, e não à massa de corpos. E quando eu me abaixei, eu acabei encostando em um dos corpos das vítimas. Nesse momento, eu também chorei, vendo tudo aquilo”, conta Tomaz. O fotógrafo entende que o prêmio ajuda a valorizar e fortalecer a comunicação pública no país. “Fico muito emocionado pela escolha, por ter sido um trabalho feito por uma mídia pública e ter sido amplamente divulgado. A foto foi capa de muitos jornais. Isso me dá ânimo e esperança de conseguir fazer um trabalho cada vez melhor para a comunicação pública e para o país”, diz Tomaz. Reencontro No dia 28 de outubro de 2025, foi realizada a maior e mais letal operação policial do Rio de Janeiro. O balanço oficial aponta que a Operação Contenção deixou 122 pessoas mortas, incluindo três policiais civis e dois militares. Foi um dia de medo para os mais de 150 mil habitantes dos complexos da Penha e do Alemão, que passaram horas debaixo de tiros e explosões em uma operação policial que afetou também todos aqueles que precisaram transitar pelas principais vias da cidade, em diversos bairros da capital fluminense. Fernanda da Silva Martins, mesmo viva, é uma das vítimas da operação. Em janeiro de 2026, a reportagem da Agência Brasil localizou e conversou com ela. Na ocasião, Tomaz Silva pôde fotografá-la outra vez, além de saber o que ela mesma pensava sobre a foto que percorreu o Brasil e outros países: "Ali, sentiram a minha dor. Muita gente [me] crucificou, mas outras me ligaram, se comoveram. A foto foi de um sentimento muito real", disse Fernanda. Prêmio Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o prêmio celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), em São Paulo. Em 2026, na 48ª edição, a premiação homenageia e reconhece o trabalho de jornalistas, repórteres fotográficos e artistas do traço que, por meio do trabalho cotidiano, defendem a democracia, a justiça e os direitos humanos. Fonte: Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-09/fotografo-tomaz-silva-da-agencia-brasil-vence-premio-vladimir-herzog
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