Esta é a segunda vez que a candidata concorre à vaga ao Senado. Segundo ela, a luta deve ser "permanente" e feita em conjunto de sindicatos e movimentos populares que demandam uma "senadora mulher". Ainda assim, não basta ser mulher representar as mulheres do país:
A Sputnik Brasil solicitou entrevista com todos os candidatos ao Senado pelo estado paulista e realiza, nesta reta final de campanha antes do primeiro turno, uma série de publicações com cada um dos postulantes às duas vagas em jogo nesta eleição.
Ferreira criticou ainda a existência da câmara alta. Em sua opinião, o bicameralismo presta um "desserviço" à sociedade por, no Senado, ter dois representantes por estado, independentemente da população.
Ao defender a proposta de acabar com a Casa e direcionar a verba ao Congresso, com "conselhos populares" definindo as leis, a candidata disse não acreditar que o parlamento, sozinho, resolva os problemas do país e que a mudança virá da organização da classe trabalhadora nos bairros e nas comunidades.
Eliane também defende o reconhecimento da Lei 15.326, do movimento Somos Todas Professoras, que ela representa. A norma enquadraria como professoras as profissionais da primeira infância que atuam em creches municipais, com valorização na carreira, piso inicial de R$ 5.160 e um terço da jornada para formação.
Segundo ela, a pauta atinge 800 mil mulheres. A candidata apoia ainda o PL 2531, que garantiria a trabalhadores não docentes, como merendeiras, porteiros e funcionários administrativos, 70% do piso nacional do magistério.
No tema do feminicídio, a candidata disse que quatro mulheres morrem por dia no país e que a Lei Maria da Penha não atende mais às necessidades, com medidas protetivas que ficam "engavetadas".
Ela propôs casas-abrigo sem endereço divulgado, afastamento do trabalho com emprego garantido, acompanhamento psicológico, social e médico e amparo aos filhos. Também defende educação e prevenção nas escolas e diálogo com os homens, e afirmou que "não queremos os homens presos".
A advogada defendeu ainda a mudança da composição e a forma de indicação do Supremo Tribunal Federal (STF), de maneira democrática, com participação dos trabalhadores. Ao acusar o tribunal de ter jogado "no lixo" ações como a revisão da vida toda do INSS, a do FGTS e a da poupança comentou que o podertornou-se um "balcão" de troca de acusações com o agravante de que há comprovações de que integrantes são coniventes com o caso do Banco Master na tentativa de abafamento.
Sobre impeachment de ministros, disse que a decisão cabe ao órgão competente e que, isoladamente, não resolve, porque outros afastados voltaram ao cenário.
Ela disse ainda que a cláusula de barreira, dispositivo eleitoral que impede partidos que não tenham conseguido um mínimo de votos de ocupar uma cadeira, é uma tentativa de "invisibilizar" partidos pequenos e representa uma "democracia dos ricos", com mais tempo de TV e financiamento a quem já está no poder.
Sobre o fim da contribuição sindical obrigatória, em 2017, afirmou que o PSTU não foi afetado, por defender autonomia e autofinanciamento, mas que sindicatos dependentes dela fecharam ou venderam sedes.
Eliane compõe a chapa com Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que encampou greve de mais de mil dias que ajudou a reintegrar mais de 500 trabalhadores na Avibras.
Fonte: Sputnik Brasil.




