Análise: CPLP poderia ser ator global, mas falta impulso de Brasil e Portugal

Os nove países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) avançaram em novas iniciativas de cooperação envolvendo mobilidade, juventude, oceanos, alimentação, saúde e resposta a desastres climáticos.
A comunidade também tem potencial geopolítico, pois reúne países estratégicos do Atlântico, da África e do Indo-Pacífico e inclui importantes produtores de energia e minerais. Essa diversidade geográfica confere peso à comunidade, segundo aponta, ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Lucca Medeiros da Silva, doutorando em ciência política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Para Silva, a própria língua portuguesa poderia deixar de ser apenas um elemento cultural e se transformar em um instrumento de integração econômica, tecnológica e diplomática. Esse propósito é justamente o que guia a cooperação dentro da CPLP, afirma.
Na visão de Silva, não há como negar que o Brasil é o principal ator da CPLP, por ter o maior território, a maior população e a maior economia. Porém, falta interesse nacional em liderar nesse espaço, e a lacuna é preenchida por Portugal.
Ele destaca que o eixo do Atlântico Sul é, de fato, onde se concentram a maioria dos membros da CPLP por ter sido onde se concentrou o poderio do Império Português. Porém, isso não cria uma alternativa às estruturas de poder que historicamente são concentradas no Norte.
Orland Mazuze, especialista em relações internacionais, diplomacia e segurança marítima, avalia que a CPLP tem grande potencial para se tornar uma plataforma de poder político e econômico do Sul Global, mas diz que essa transformação não seria automática, mas sim um processo, por diversos fatores.
Outro aspecto apontado por Mazuze é que os membros da CPLP têm interesses nacionais frequentemente diferentes, e essa disparidade de interesses poderia inviabilizar a comunidade de se tornar uma referência política e econômica no sentido global.
Ele afirma que a CPLP integra um grupo de países que gradualmente vem ganhando maior relevância ao nível sistêmico, como Brasil e Moçambique, que desde 2010 tem sido um dos países mais falados no mundo devido às descobertas de gás natural.

Fonte: Sputnik Brasil.