Do narcotráfico à defesa da soberania: é assim que EUA e México se usam como isca

O mais recente atrito discursivo entre México e Estados Unidos com a mensagem do presidente dos EUA, Donald Trump, diante da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na qual classificou o Estado mexicano como o "epicentro da violência dos cartéis".
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que estão sendo realizados trabalhos bilaterais para o combate ao crime organizado e respondeu ironicamente a Washington:
O segundo governo do republicano Trump tem sido marcado pela polarização e as declarações sobre o México o ajuda a manter posicionamento político junto à sua base eleitoral mais dura, apontou em conversa com a Sputnik o doutor em ciência política e acadêmico da Universidade Autônoma do Estado do México, Aldo Muñoz.
Assim, segundo o analista, a veracidade das declarações de Trump a respeito do México fica em segundo plano:
Doutor em ciência política e acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México, Irwing Rico disse à Sputnik que Trump chegou ao poder com uma imagem de "homem forte e do tipo que resolve". No entanto, refletiu o especialista, essa imagem se desfocou e os republicanos parecem enfrentar um cenário complexo rumo às eleições de novembro deste ano, enquanto relatos de meios locais colocam a popularidade de Trump em apenas 32%.
De acordo com o analista internacional, apesar das ameaças, os EUA "estão longe de executar uma intervenção aberta em território mexicano", mas o país norte-americano leva décadas com práticas de ingerência velada no país latino-americano.
Quanto ao México, Muñoz expressou que, atualmente, a Administração local tem três pontos fortes que lhe somam politicamente falando: os programas sociais, sua forma de comunicar e seu discurso que exalta a soberania, defesa dos recursos naturais, do território e das fronteiras:
Este último ponto, analisou, tem sido fortalecido graças às declarações do presidente estadunidense, que no México não tem uma imagem favorável.

Fonte: Sputnik Brasil.