quinta-feira, 4 de junho de 2026 18:08:57

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Você sabe se zinco realmente abre o apetite? Crianças que recusam alimentos salgados precisam…

Crianças que recusam alimentos salgados precisam de uma dose extra desse mineral – aponta um estudo da Universidade de Brasília. Fomos investigar a nova promessa de um final feliz à novela de sempre na hora de comer A cena é invariável: diante do prato, o pequeno torce o nariz, leva um tempo enoooorme para engolir alguns bocados e ainda faz malcriação. Um verdadeiro drama. “Ah, se existisse uma fórmula milagrosa para abrir o apetite…”, sonham mães à beira de um ataque de nervos diante da costumeira manha à mesa. Se é certo que mágica não existe, também é verdade que pesquisadores estão sempre buscando desvendar o mecanismo da inapetência infantil.
Ultimamente, pediatras da Universidade de Brasília estudam a possibilidade de o zinco influenciar o apetite. Assim, resolveram testar a suplementação do mineral em 40 crianças entre 8 meses e 5 anos. A turminha que participou da pesquisa recusava especialmente alimentos salgados – aliás, 30% dos pequenos inapetentes têm esse perfil seletivo. “O paladar do bebê está habituado ao doce, porque o leite materno tem esse sabor”, explica o pediatra Dioclécio Campos, autor do trabalho. “A partir do sexto mês de vida começa a introdução da comida salgada. Se a transição for malfeita, a criança vai continuar querendo só leite, iogurtes e doces.” Apenas metade dos pequenos voluntários passou a tomar doses diárias de zinco. Todos, porém, foram seduzidos com um cardápio doméstico mais atraente, de acordo com as recomendações nutricionais dos médicos. As mães também foram orientadas a não ceder à tradicional birra à mesa, Sim, estamos falando aqui da velha e boa reeducação alimentar. Seis meses depois, os resultados: o apetite foi recuperado em 85% das crianças que tomaram zinco – contra 50% das que apenas foram reeducadas. “Os números mostram que o mineral tem uma eficiência de 35%, desde que a suplementação seja acompanhada da orientação nutricional”, resume Campos. NÃO CONFUNDA Há uma diferença sutil entre inapetência e seletividade INAPETÊNCIA A criança inapetente come menos do que precisa. A falta de apetite geralmente se deve a algum problema – uma infecção ou um dente dolorido, por exemplo. Há risco de prejuízos no crescimento. SELETlVlDADE O pequeno seletivo tem apetite, mas escolhe alimentos pobres em nutrientes, como macarrão e bolachas. Ele cresce normalmente, mas pode ter deficiência de vitaminas e minerais. Ainda não está claro o mecanismo que envolve zinco e apetite, mas há pistas. Sabe-se, por exemplo, que mais de 100 enzimas, inclusive aquelas envolvidas na sensação de fome, contêm esse mineral. “Quando ele não existe, fica difícil reconhecer o sabor salgado”, aponta Dioclécio Campos. E aí, adeus vontade de comer um bom prato de arroz e feijão. “O zinco também é um dos componentes da gustina, proteína relacionada à percepção do sabor”, acrescenta o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo. O pediatra Ary Lopes Cardoso, chefe do grupo de nutrição do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, concorda com os colegas, mas faz uma ressalva: “A carência do mineral diminui o paladar e, em conseqüência, a vontade de comer, mas a reposição funciona apenas em crianças com baixas quantidades de zinco”. O problema é que o exame de sangue não detecta o défiát, como acontece com o ferro. “Em geral estuda-se o padrão alimentar do paciente”, revela a nutricionista Maria Luiza Ctenas, autora do livro Crescendo com Saúde, da Editora C2. Carnes vermelhas, frutos do mar, ovos, feijão, peixes e cereais são fontes do nutriente. “No entanto, mesmo quem come tudo isso pode ter carência porque o zinco é de difícil absorção.” Um relatório sobre deficiência de vitaminas e minerais divulgado este ano pela Unicef estima que um terço da população tem zinco de menos no organismo. Mas atenção: se o seu filho insiste em trancar a boca, nem pense em lhe dar suplemento por conta própria. Só o médico sabe avaliar a quantidade de que ele precisa. Em excesso, o mineral pode provocar intoxicação e, nos casos mais graves, até parada cardíaca! Independentemente de o pediatra recomendar ou não a suplementação, capriche no preparo e no visual. “Nada de comida sem gosto e sem cor”, enfatiza a nutricionista Julliana Bonato, da Nutrir Kids, em São Paulo. “Vale até convidar a criança para participar da montagem do prato.” INFÂNCIA SEM SAL Diante dos resultados da pesquisa, a UnB abriu um ambulatório destinado a atender crianças que não comem alimentos salgados e são candidatas à suplementação com zinco. Só serão atendidas, porém, aquelas que forem encaminhadas por um pediatra. Sem imposição nem barganha estimule seu filho a experimentar novos sabores para que ele descubra o prazer de comer” sugere a psicóloga Valdívia Camargo, de São Paulo

Esse texto é apenas para fins informativos. Para orientação ou diagnóstico, consulte um profissional.

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