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O que antes parecia restrito aos filmes de ficção científica, como produzir alimentos fora da Terra, já mobiliza pesquisadores brasileiros. A Rede Space Farming Brazil, coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), investiga como microrganismos capazes de favorecer o crescimento de plantas podem contribuir para futuras missões espaciais de longa duração. O estudo também conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) e do Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos.
Para isso, um experimento enviado em 15 de setembro, durante a Operação Potiguar 2, levou amostras de microrganismos a um voo suborbital realizado a partir da base no Rio Grande do Norte. Esses seres podem favorecer o desenvolvimento vegetal, por exemplo, por meio da fixação de nitrogênio nas raízes. Após o retorno à Terra, os pesquisadores verificaram a integridade das amostras e iniciaram as análises para investigar os efeitos do voo sobre os microrganismos.
Durante a abertura do módulo que transportou as amostras, os pesquisadores separaram os tubos com microrganismos, dosímetros e biossensores. Os dosímetros, encaminhados ao IEAv, medem a exposição à radiação. Já os biossensores serão analisados na Universidade Federal do ABC (UFABC), enquanto a Embrapa Soja realizará avaliações genômicas dos microrganismos. O objetivo é investigar possíveis alterações provocadas pelo voo e comparar as amostras espaciais com aquelas mantidas na Terra.
O especialista lembra que as plantas possuem hormônios de estresse e uma fisiologia própria, que pode ser afetada pelas condições ambientais. “Os pesquisadores vão estudar o que mudou nesse voo para tentar inibir ou fomentar isso nas próximas gerações dessa cultura que estaremos desenvolvendo”, acrescenta.
Muito além de contribuir para futuras missões espaciais e permitir o cultivo de plantas fora da Terra, o estudo dos microrganismos pode ajudar no desenvolvimento de tecnologias para a agricultura. Segundo Quintanilha, a necessidade de produzir alimentos em ambientes hostis, com recursos limitados de água e nutrientes, também se aproxima da realidade de regiões terrestres que enfrentam condições semelhantes.
As fazendas verticais são estruturas de cultivo em ambientes controlados, que podem integrar iluminação artificial e sistemas de reaproveitamento de água e nutrientes. A tecnologia deve favorecer a produção em locais com limitações ambientais, embora sua aplicação dependa do desenvolvimento dos sistemas e das condições de cada cultivo.
Outro benefício, de acordo com o coordenador da AEB, é a possibilidade de desenvolver soluções para minimizar os impactos das mudanças climáticas sobre a produção de alimentos. “A partir do momento em que dominarmos isso, vamos começar a aplicar e veremos essa tecnologia sendo difundida”, afirma.
O Brasil é um dos principais exportadores de alimentos do mundo e, conforme previsão do governo federal, deve ultrapassar os Estados Unidos até 2027 e assumir a liderança do ranking. O país também se destaca pelo desenvolvimento de tecnologias agrícolas adaptadas às condições tropicais, o que abre oportunidades de cooperação internacional inclusive nas pesquisas que aproximam a agricultura da exploração espacial.
Em relação ao estudo em andamento, Carlos Quintanilha cita o potencial de cooperação com outros países, especialmente do BRICS e todo o Sul Global. Segundo ele, as parcerias específicas no âmbito da Space Farming ainda são limitadas, e a ampliação da colaboração internacional pode contribuir para o avanço das pesquisas.
Fonte: Sputnik Brasil.
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