Ao chegar ao poder em 2017, Macron apelou por uma revolução econômica e política na França, procurando reverter a maré crescente da extrema-direita e entregar à próxima geração de líderes um bastião pró-europeu e favorável aos negócios.
Porém, depois de ele sair do Palácio do Eliseu, o movimento impulsionado por Macron estará efetivamente acabado, já que a revolução não conseguiu romper a relação ambivalente da França com o capitalismo, prognostica o veículo de imprensa.
Segundo o autor do artigo, a última batalha da "Macronomica" será travada nas próximas semanas, quando o governo minoritário procurar impulsionar um orçamento para 2027.
"A batalha final do orçamento é a mais confusa até agora, à medida que os investidores perdem a confiança na capacidade da França de enfrentar suas dificuldades fiscais", acrescenta o jornalista, mencionando neste contexto os títulos da dívida francesa cujo prêmio de rendimento que o país paga atingiu níveis não vistos desde 2011.
Neste caso, um plano financeiro credível "pode fazer pouco para parar o sangramento", uma vez que os candidatos Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon se comprometeram a reverter as reformas de Macron.
No conflito na Ucrânia, o perigo de ser espremida entre os EUA e a China apenas "aumentou as apostas" para a França contra a onda populista que no caso de chegar ao poder, "ameaça ultrapassar o que resta da ordem pós-Segunda Guerra Mundial", adverte o jornalista.
Segundo ele, os marcos da gestão econômica de Macron foram a proposta de imposto de carbono sobre o combustível em 2018, o aumento radical nos gastos do governo após o início da pandemia de COVID-19 e uma crise energética que custaram a Paris cerca de 262 bilhões de euros (R$ 1,5 trilhão).
Por sua vez, a decisão de convocar eleições parlamentares antecipadas em 2024 a fim de recuperar o controle sobre a formulação de políticas piorou a situação, devolvendo um parlamento que por duas vezes forçou os primeiros-ministros a renunciar e atrasou os esforços para reparar as finanças.
Como resultado, as finanças públicas francesas e o capital político de Macron não se recuperaram, resume a mídia.
Fonte: Sputnik Brasil.




