A Sputnik Brasil listou a trajetória política dos dois adversários na disputa pela presidência da República.
Nascido em 27 de outubro de 1945, Luiz Inácio Lula da Silva tem 80 anos e antes de iniciar sua trajetória política trabalhou em uma fábrica de parafusos e foi torneiro mecânico. Na década de 1960, começou a trabalhar como metalúrgico, com uma jornada de trabalho de 12h por dia, época que sofreu o acidente de trabalho em uma prensa, que resultou na perda do dedo mínimo da mão esquerda. A mão com o dedo decepado passou a ser sua insígnia política.
Em 1967, iniciou a trajetória na política como líder sindicalista, ganhando destaque na mídia como liderança de uma campanha pela reposição do salário dos metalúrgicos. Defendia a construção de novas bases para as relações trabalhistas e liderou greves no ABC Paulista que o tornaram ainda mais conhecido. Em 1979, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) e se candidatou ao governo de São Paulo nas eleições de 1982, ficando em quarto lugar entre os candidatos.
Em 1988, Lula se candidatou e foi eleito para uma vaga de deputado federal na assembleia constituinte, sendo o mais votado do país. Em outubro de 1988, após aprovada a Carta Magna, foi alçado pelo PT como candidato à presidência da República nas eleições do ano seguinte, perdendo para Fernando Collor de Mello. Disputou novamente em 1994 e 1998, perdendo nas duas ocasiões para Fernando Henrique Cardoso.
Venceu as eleições presidenciais pela primeira vez em 2002, derrotando José Serra. Em 2005, seu governo atravessou o primeiro escândalo, com a eclosão do caso do Mensalão, porém sua imagem não foi afetada, e ele foi reeleito em 2006. Encerrou o segundo mandato com 83% de aprovação popular, elegendo Dilma Rousseff como sucessora.
Em 7 de abril de 2018, quando liderava as pesquisas para as eleições presidenciais, teve a prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, em meio à operação Lava Jato. Passou 580 dias preso, sendo solto em 2019, após ser constatada a parcialidade de Moro e dos promotores que o acusaram. Em 2022 disputou e venceu a eleição presidencial, derrotando Jair Bolsonaro no segundo turno.
Nascido em 30 de abril de 1981, Flávio Nantes Bolsonaro tem 45 anos e é o primogênito dos cinco filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que lhe rendeu o apelido de "zero um". Antes de iniciar a trajetória política fez curso de técnico em eletrônica e se formou em direito pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e tem especialização em políticas públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).
Ingressou na vida política por intermédio do pai, em 2002, aos 21 anos, se elegendo deputado estadual pelo Rio de Janeiro pelo Partido Progressista Brasileiro (PPB), atual Partido Progressita (PP). Foi reeleito em 2006, 2010 e 2014.
Presidiu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a Comissão Permanente de Segurança Pública e Assuntos de Polícia, a Comissão Permanente de Legislação Constitucional Complementar e Códigos, a Comissão Permanente de Defesa Civil, a Comissão Especial de Planejamento Familiar, foi vice-presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública e Assuntos de Polícia e integrou a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania.
Em 2016, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo Partido Socialista Cristão (PSC), mas não foi eleito. Em 2018, se elegeu senador pelo Partido Social Liberal (PSL), mudando para o Partido Liberal (PL) em 2021. Tem atuação política focada em segurança pública e é crítico a políticas de assistência social, que diz ser uma forma de manter o eleitorado dependente.
Em 2018, teve o nome envolvido no esquema de corrupção conhecido como rachadinha, após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações atípicas na conta de seu ex-motorista, ex-segurança e então assessor Fabrício Queiroz.
O relatório expôs um esquema no qual funcionários do gabinete do parlamentar na Alerj devolviam parte do salário. A investigação apontou que o dinheiro era lavado por meio de uma franquia da loja de chocolates Kopenhagen, da qual era sócio.
Foi denunciado pelo Ministério Público (MP) pelo caso em 2020, que apontou Queiroz como operador do esquema, mas a denúncia foi arquivada após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular a quebra do sigilo bancário e fiscal reaizado na investigação e determinar que os investigadores retirassem todas as acusações obtidas por meio dela contra Flávio e outros 94 investigados, entre pessoas e empresas. A determinação enfraqueceu a denúncia, que acabou arquivada.
Em 2026, pouco antes de disputar o primeiro turno da eleição presidencial, teve seu nome citado no caso Master, após serem encontradas mensagens no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, nas quais o senador pedia dinheiro para a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A revelação, no entanto, não afetou gravemente as intenções de voto em Flávio, que se manteve liderando as pesquisas junto com Lula.
Fonte: Sputnik Brasil.




