Autorregulação da IA de Trump é carta branca a bigtechs, diz professor

Essa é a avaliação do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e autor de obras sobre tecnologias digitais: Dentre as medidas anunciadas no acordo firmado na terça-feira (29), na Casa Branca, com a OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X (antigo Twitter), está a implementação de “controles internos” para monitorar os modelos de IA para “garantir que seus modelos não invadam ou acessem sistemas técnicos de maneiras não intencionais”. “Isso já é feito. Todo o processo de treinamento de IA requer um controle robusto. O monitoramento interno já é feito. Tudo isso não agrega nada de importante para regulamentar e controlar usos e desenvolvimentos indevidos do aprendizado de máquina e do aprendizado profundo”, completou Amadeu. Sobre a previsão de auditoria externa independente das empresas de IA, o professor da UFABC contesta que essa auditoria será paga pela própria empresa. “Até que ponto esse auditor externo pago pela própria empresa vai fazer críticas e sugestões que vão criar descontentamento do conselho de acionistas das empresas?”, questionou Sérgio. Saúde Pública Amadeu destaca que a IA traz riscos ambientais, devido ao alto consumo de energia e água, de violação de privacidade, devido a capacidade de vigilância em massa de populações, assim como riscos à democracia e à saúde pública. Ele explica que várias pesquisas realizadas na indústria farmacêutica, em parceria com bigtechs por meio de modelos de IA, podem envolver riscos para a saúde da população e, por isso, precisa de regulação do Estado. “Sabemos que quando o uso de IA fica sob controle apenas de investidores, isso traz um risco gigantesco para experimentos e ações que coloquem em risco a saúde pública”, comentou. Entre os riscos, o especialista cita a possibilidade do uso de IA levar as pessoas a tomar medicamentos por conta própria ou mesmo fazer diagnósticos com uso da máquina. “Quando nós estamos tratando de fenômenos ligados à chamada saúde pública e que incluam a parceria de grandes bigtechs com indústrias químicas e de fármacos, é um risco muito grande e, portanto, precisa de uma regulamentação estatal democrática”, concluiu. Temor social O governo Trump tem rejeitado impor limites ao desenvolvimento da IA, mesmo diante de pedidos da própria indústria e pressão social interna. Pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters revelou que 73% da população dos EUA acreditam que as empresas de IA não tomam medidas suficientes para impedir os danos da tecnologia para a sociedade e 39% acreditam que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade. Um dos riscos apontados é que os sistemas banalizem ataques cibernético por meio da invasão de sistemas de outras empresas e instituições. Outros riscos associados à IA são os impactos sobre o mercado de trabalho ou uso “maliciosos” da tecnologia por criminosos para aplicar golpes cibernéticos. Democracia A IA ainda pode ser usada para influenciar a opinião pública por meio da manipulação da informação que circula nas redes sociais, segundo descreve o relatório Internacional IA Safety Report 2026, elaborado por 100 especialistas de mais de 30 países. “Diversos estudos laboratoriais demonstraram que a interação com sistemas de IA pode levar a mudanças mensuráveis ​​nas crenças das pessoas”, aponta o relatório. Outro risco apontado é em relação ao desenvolvimento de armas químicas e biológicas. “Sistemas de IA de uso geral podem fornecer informações sobre o desenvolvimento de armas biológicas e químicas, incluindo detalhes sobre patógenos e instruções de laboratório de nível especializado”, diz o relatório internacional. Fonte: Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-09/autorregulacao-da-ia-de-trump-e-carta-branca-bigtechs-diz-professor
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