Trump vai 'ver o que é bom’ quando Avibras produzir foguetes, diz Lula a empresários

O líder brasileiro fez referência ao sócio do grupo J&F que comprou a fabricante de mísseis e foguetes Avibras, sugerindo capacidade de resposta tecnológica brasileira a avanços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula questionou a legitimidade da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, descrevendo-a como uma "construção política" de Trump que ignora implicações globais. Também advertiu sobre tentativas de Washington de controlar recursos naturais brasileiros, mencionando o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Rubio tem sido um dos principais defensores de políticas ambientais mais restritivas para a Amazônia brasileira e que os EUA deveriam ter voz em como o Brasil maneja seus recursos naturais — uma posição que Lula classifica como tentativa de roubo de soberania.
Lula descreveu que, quando conversou com Trump, "a gente sentou, ele foi dar entrevista e eu disse: 'Não, manda a imprensa embora, vamos conversar primeiro'".
O presidente brasileiro relatou que Trump mencionou durante a conversa que possui "o maior exército do mundo, o maior navio do mundo", mas que prontamente rebateu: "Eu não quero guerra, eu quero ganhar na narrativa."
Lula questionou a estratégia de Trump no conflito e afirmou que o presidente estadunidense matou o aiatolá Khomeini, líder supremo do Irã, no início da ofensiva conjunta com Israel em março de 2026, mas a guerra continua, porque Trump não compreendeu a importância estratégica do estreito de Ormuz:
Lula relatou ter conversado com Trump por telefone um mês antes, para discutir a reforma do Conselho de Segurança da ONU e que abordou a guerra do Irã com os líderes das principais potências mundiais.
"Liguei para o Trump, liguei para o Xi Jinping, liguei para o Putin. 'Por que que vocês não se reúnem, cara?'", relatou Lula, ao argumentar que a guerra não deveria estar fora das negociações da ONU, porque seus cinco membros permanentes — Inglaterra, França, Rússia, China e Estados Unidos — possuem direito de veto que poderia bloquear ações unilaterais.
"Eles têm o direito de veto. Só prova as coisas que eles querem. Se eles não quiserem, calem. Se um vetar, não acontece", explicou o presidente, sugerindo que o conflito está sendo resolvido de forma extrajudicial, sem mediação adequada das Nações Unidas.
Por fim, Lula declarou que agências regulatórias federais brasileiras estão sendo "capturadas" por decisões privadas e operando fora do controle estatal. Ele também criticou propostas de redução em gastos sociais e previdenciários.

Fonte: Sputnik Brasil.