Festa Literária das Periferias (Flup) vai até domingo no centro do Rio

Este ano, o tema do festival é As Filhas das Filhas das Filhas, que dá destaque ao feminismo negro. Pesquisa da Flup mostra força da literatura nas periferias do Rio. Livro inspirado na trajetória de Helena Theodoro será lançado no Rio. Memória é fundamental na literatura, diz escritor Milton Hatoum. Segundo os organizadores, o festival quer que o público reflita sobre as heranças que atravessam gerações, sobre as histórias que resistem ao apagamento e sobre as mulheres que, ao longo do tempo, deram à luz a muito mais do que filhos, produzindo comunidades, saberes, linguagens, territórios e futuros. O diretor da Flup, Julio Ludemir, afirma que o tema "nos remete à grande revolução em curso no Brasil, decorrente das ações afirmativas”. Ele destaca que grandes mulheres, como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, tiveram como antepassados trabalhadoras domésticas. “A Kehinde, grande personagem da Ana Maria Gonçalves [no livro Um Defeito de Cor], se libertou através de uma capacidade extraordinária de empreender muito própria das mulheres negras brasileiras. As Filhas das Filhas das Filhas é uma grande homenagem a essa revolução que o Brasil pôde assistir em uma geração de ações afirmativas”, disse Ludemir. Para o diretor da Flup, Ana Maria Gonçalves escreveu o livro mais importante da história da literatura brasileira. “Não à toa, ela foi a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras. Desde 2018, a Flup tem sido cada vez mais ligada ao feminismo negro, que é a grande novidade política, cultural, artística, sociológica, que está mudando a sociedade a partir da sua base.” Programação No sábado (26), o jornalista Chico Regueira entrevista o intelectual Nei Lopes no Teatro Carlos Gomes, no evento A cidade inventada pelo samba, das 14h às 15h30. Às 16h, Ana Maria Gonçalves e Jurema Werneck entrevistam Kimberlé Crenshaw, a criadora do conceito de interseccionalidade. No domingo (27), às 14h, haverá debate com Linn da Quebrada e Vita Pereira, com mediação de Artur Amaro, no evento Ninguém poderia me parir senão eu mesma. Às 16h, haverá o debate Quando existíamos apenas nós e Ubirajara Fidalgo: Precisamos celebrar o legado dos nossos, com Antonio Pitanga, Dom Filó e Helena Theodoro, com mediação de Sabrina Fidalgo. A programação completa pode ser conferida na página oficial da festa. Fonte: Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-09/festa-literaria-das-periferias-flup-vai-ate-domingo-no-centro-do-rio