Brasil tem lobby sionista até mesmo no 'campo progressista', diz Thiago Ávila

Questionado sobre projeto de lei da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) a respeito da classificação do antissemitismo no Brasil, ele entende que o texto adota premissas formuladas por organizações do próprio lobby para criminalizar e silenciar quem se manifesta contra a atuação de Israel. "Ela faz isso não por vontade pessoal, sinceramente eu acredito que é muito mais de interesse eleitoral e de financiamento."
Para ele, o lobby sionista opera através de instituições como a Confederação Israelita do Brasil (CONIB), a StandWithUs e a Sociedade Beneficiente Israelita Brasileira Albert Einstein/Hebraica. Ávila pontua que tais entidades atuam na promoção de lawfare, intimidações judiciais, ameaças a militantes e tentativas sistemáticas de silenciar a imprensa independente.
Por exemplo, narrativa como que sobre os hospitais em Gaza há bombas, terroristas e túneis, é um dos vários exemplos de tentativa de construção de uma realidade que visa mascarar crimes cometidos pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), segundo ele.
Ávila avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é reconhecido em Gaza como uma liderança que se posiciona pró-Palestina e que isso pressionou líderes mundiais a se posicionarem.
No entanto, ele defende que o governo precisa ir além do discurso diplomático e cortar acordos militares e comerciais, como os de compras de software de espionagem.
O problema se aprofunda nos governos estaduais, diz, como na gestão paulista de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca reeleição este ano. "Tem US$ 37 milhões em acordos com a indústria militar israelense que testa seus equipamentos sobre corpos palestinos e por isso vende mais caro os fuzis, porque vem com selo de testados em campo."
Para Ávila, o Brasil está num "contexto de tentativa de tomada imperialista e sionista", devido ao interesse dos Estados Unidos nos minerais críticos brasileiros, petróleo e outros recursos naturais. Ele afirma que o país é "suscetível" a ataques devido a "pouca capacidade militar de dissuasão" e "uma burguesia interna completamente entreguista e submissa".
Mesmo criticando a chamada "eleição liberal burguesa", Ávila entende que, neste momento, é importante aderir a coalizão de Lula para barrar o imperialismo e sionismo "de tomar nosso país". "O militante mais revolucionário do mundo no nosso país nesse momento precisa fazer uma análise concreta, que o nosso país está sob tentativa de tomada da maior, mais perigosa, mais destrutiva força imperial do mundo e da história", afirmou.
Ávila foi convidado por vários partidos para as eleições de 2026, mas aceitou a proposta da Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, por, segundo ele, permitir seus ideais anti imperialistas e viabilizar a candidatura. Ele também elogiou a forma que a legenda o abordou para que se filiasse antes do prazo eleitoral, para que não se arrependesse de não participar do processo democrático. "Uma campanha estruturada financeiramente como uma prioridade nacional da Rede."
Ávila foi alvo de notícia-crime apresentada ao Ministério Público pelo deputado estadual Guto Zacarias (PL-SP), após colar adesivo com slogan pró-Palestina sobre a placa da rua Estado de Israel, na zona sul de São Paulo, nos últimos dias.
Zacarias alegou que a expressão "Do Rio ao Mar" defende eliminação do Estado de Israel e, por ter sido colada em região com forte presença da comunidade judaica na cidade, e na ocasião do Yom Kippur, configuraria preconceito por procedência nacional ou religião. Juridicamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) enquadra o antissemitismo no conceito de racismo.
À Sputnik Brasil, Ávila afirma que a rua carrega "o nome de um Estado que comete genocídio e que viola completamente o direito internacional", mencionando que crianças são assassinadas na Faixa de Gaza, seja por ações militares diretas, quanto pela fome.
O ativista explicou que a ação foi feita "como parte de um processo coletivo da Marcha pelo Clima", uma frente de luta popular que contou com apoio e participação de outros manifestantes. Ele também reforçou que não teve relação com a data judaica, que ocorreu "horas após a nossa ação", e que se tratou apenas de um protesto, feito com adesivo.
"Estou disposto a fazer qualquer ação e em qualquer tática, em qualquer nível de risco, se for para avançar na construção de uma sociedade nova. Uma sociedade onde a minha filha, de dois anos e oito meses, a Teresa, não tenha que viver sob bombas, sob apartheids, viver sob genocídio, e não só a minha filha, mas todas as crianças, porque as crianças de Gaza, os pais e as mães deles amam aquelas crianças tanto quanto eu amo a minha", completou.
Ávila disse que, se necessário, participaria novamente de flotilhas como a de outubro de 2025, caso as organizações que faz parte entendam que seja preciso. "Não tenho medo de ser assassinado por isso. Eu considero que as flotilhas são um exemplo de ação direta não violenta com um imenso potencial transformador de conscientização."

Fonte: Sputnik Brasil.