O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou na última semana, durante sua visita ao Reino Unido, que o país solicitou formalmente a adesão à Força Expedicionária Conjunta (JEF, na sigla em inglês). Segundo um comunicado publicado no site do premiê, a autoridade canadense saudou o apoio do Reino Unido à participação de Ottawa na aliança militar.
Aqueles que não acompanham de perto o noticiário de defesa podem ter se deparado pela primeira vez com a sigla, mas a JEF é uma das maiores alianças da Europa, incluindo dez países, todos membros também da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Nesta lista, a Sputnik Brasil mostra algumas das maiores alianças militares do mundo, tanto em capacidade de fogo quanto em contingente de homens.
A OTAN foi criada em 1949, em Bruxelas, na Bélgica, poucos anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, diante da expansão da influência soviética no Leste Europeu e da percepção, entre as potências ocidentais, de uma crescente ameaça à estabilidade da Europa de então. Majoritariamente composta por países europeus, a aliança militar tem nos Estados Unidos seu principal financiador e fiel da balança.
Estima-se que a organização tenha utilizado um orçamento de US$ 1,5 trilhão em 2025, dos quais os Estados Unidos ficaram responsáveis por cerca de dois terços. Desta forma, apesar de a aliança de defesa mútua contar com 32 países-membros, a voz da Casa Branca se torna determinante nas decisões do grupo.
Desde que reassumiu o cargo de presidente, Donald Trump pressiona a organização e seu secretário-geral, Mark Rutte, para que o restante do grupo comprometa uma maior porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) com questões de defesa.
No total, somados, os países da OTAN possuem mais de 3,3 milhões de militares na ativa, em ranking liderado pelos Estados Unidos, com 1,3 milhão; Turquia, com cerca de 350 mil; e Polônia, com mais de 250 mil.
A OTSC é uma das maiores alianças militares do mundo, estendendo-se da Europa Oriental até o Pacífico. Formado por seis países, entre eles a Rússia, o grupo, fundado em 1992, em Moscou, tem como princípio-chave o acordo de defesa mútua em caso de agressões.
Diferente da OTAN, que não estipula uma cláusula de exclusividade, a OTSC obriga os Estados-membros a não assinarem acordos deste tipo com outras nações.
Atualmente, compõem a OTSC, além da Rússia, Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão. A Sérvia, por sua vez, possui status de Estado-observador. Azerbaijão, Geórgia e Uzbequistão já foram membros-integrais, mas optaram por sair ao longo dos 35 anos de existência da aliança.
Estima-se que a OTSC conte com 1,2 milhão de militares na ativa, sendo mais de 80% do contingente russo.
A JEF é composta por dez países, sendo todos eles membros da OTAN. O grupo é liderado pelo Reino Unido e conta com a presença de nações majoritariamente nórdicas e bálticas, com os Países Baixos completando a lista.
A aliança foi lançada formalmente em 2014, na Cúpula da OTAN no País de Gales, e tem como objetivo ações de resposta rápida e operações expedicionárias (invasão de territórios). Em 2018, quando se tornou plenamente operacional, o governo do Reino Unido afirmou que a JEF tinha à sua disposição 10 mil homens.
Combinadas as bases militares ativas dos dez países que compõem a aliança, as tropas ultrapassariam a casa das 400 mil pessoas, com outros 1,6 milhão na reserva.
Caçula da lista, o Acordo de Meca para a Defesa Conjunta foi assinado por Arábia Saudita, Turquia e Paquistão no início de agosto, com o objetivo de fortalecer a segurança conjunta das nações e conter ameaças externas.
O acordo prevê o desenvolvimento em grande escala da cooperação técnico-militar e o aumento do potencial de defesa soberano dos três países. O grupo possui o segundo maior exército da OTAN (Turquia), a maior potência nuclear islâmica (Paquistão) e o terceiro maior importador de armamentos do mundo (Arábia Saudita).
Somadas as três nações, o número de militares na ativa ultrapassa 1,3 milhão.
Apesar de não ser uma aliança militar propriamente dita, o TIAR poderia ser considerado algo próximo a isso. O tratado, assinado pela maioria dos países das Américas, incluindo Brasil e Estados Unidos, foi celebrado em 1947. O documento estipula uma defesa mútua entre os países americanos, assim como o famoso artigo 5º da OTAN.
Embora as nações tenham assinado o tratado, a cláusula principal para sua criação não costuma ser respeitada. Os Estados Unidos, por exemplo, não ajudaram a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, enquanto invocaram o documento após os ataques de 11 de setembro de 2001 e também não receberam apoio latino-americano.
A descrença no tratado fez com que países como Bolívia, Cuba, Equador, México e Nicarágua se saíssem do acordo. A Venezuela também chegou a deixar o TIAR em 2013, mas, seis anos depois, o então presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, recolocou o país entre os signatários.
Fonte: Sputnik Brasil.




