O Exército Brasileiro realiza nesta semana, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), a 8ª edição do exercício Guardião Cibernético, o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A edição deste ano é feita em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
O exercício é feito simultaneamente em hubs localizados no Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Manaus (AM), Recife (PE), Belém (PA), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).
O treinamento consiste em simular ataques cibernéticos que possam comprometer a infraestrutura crítica do Estado e setores essenciais para a sociedade. O objetivo do exercício é ampliar a integração entre governo, iniciativa privada e meio acadêmico na resposta a incidentes cibernéticos complexos e coordenados.
À Sputnik Brasil, o Capitão de fragata Ferreira Jesus, do ComDCiber, diz que as empresas participantes do treinamento são imersas em uma série de desafios que permitem melhorar os seus processos internos contra ciberataques e identificar pontos onde precisa investir e colaborar com empresas do mesmo setor.
Alexandre Reis, diretor-executivo operacional do Sistema Firjan e diretor-executivo do Sesi Senai, diz que a questão dos ataques cibernéticos hoje é uma agenda mundial e destaca que a Firjan inaugurou no final de 2025 um centro de referência em tecnologias educacionais, focado em tecnologia da informação e comunicação (TIC), inteligência artificial (IA), cibersegurança, tecnologia quântica, conectividade e infraestrutura.
"Inauguramos em dezembro com esse objetivo. De ajudar a formar pessoas para que as pessoas possam ajudar as empresas a se comportarem dentro de uma agenda de defesa e uma agenda principalmente de como sair de um ataque num ambiente de crise."
Um dos órgãos públicos que participou do treinamento foi o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O diretor geral do Detran, Alexandre Bastos Mattioli, afirmou que o órgão é alvo de constantes tentativas de ataques cibernéticos, por concentrar uma vasta base de dados do Estado. Diante disso, ele aponta a importância de participar do treinamento.
A diretora de operações (COO) da Eco Trust, plataforma brasileira de IA agêntica para cibersegurança, Luciana Durbano destaca a importância de desenvolver tecnologia nacional contra ciberataques.
"A gente está aqui dentro do exercício do Guardião Cibernético com um time de arquitetura, engenharia, especialistas em segurança e também com um time jurídico, fazendo todo esse exercício de uma maneira completa, desde governança até arquitetura e trazendo para o Guardião Cibernético uma robustez de uma tecnologia nacional, de uma tecnologia que nasceu no nosso país e que faz parte do nosso ativo."
Representando grupos de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) e instrutor da Firjan, Vagner da Costa Lima diz ser muito necessário que a sociedade esteja lidando com ciência, tecnologia, defesa nacional e soberania de dados.
"Nós estamos debatendo muito como que tecnologias muito utilizadas pela juventude, elas têm origem desde sempre, desde a Segunda Guerra Mundial, em tecnologias de cálculo de mísseis, por exemplo. O inventor do videogame, William Rigbott, esteve na criação também das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki. Então, dialogar com a sociedade sobre como as tecnologias vão ser utilizadas, como elas serão desenvolvidas, é sempre importante", afirma.
Fonte: Sputnik Brasil.




