Publicidade
Foi uma consulta de rotina que a designer gráfica Márcia Lea, 46 anos, descobriu que estava com câncer. Em menos de um mês, ela teve sua mama esquerda retirada e se viu submetida aos dolorosos sintomas da doença, que tende a ser fatal.
A jornalista Patrícia Alves, 32, perdeu o pai depois a mãe e, de uma ora para outra, se viu sozinha no mundo, tendo de dar conta de si e de seus avós, já bastante idosos.
A empresária Mônica Otero, 38, dormiu rica e acordou pobre: faliu, perdeu tudo que tinha e teve de se adaptar a uma vida de rigorosas privações.
Essas três mulheres superaram bravamente seus problemas – Márcia está curada, Patrícia aprendeu a viver sozinha e Mônica se reergueu financeiramente. Supereda a crise, elas ainda se questionam, adimiradas, de onde, afinal, veio tamanha força para enfrentar com esperança o que consideram ser o período mais difício da suas vidas.
A resposta está em uma palavra de sonoridade poética que nos ocorre quase que milogrosamente nos momentos dificeis: resiliência. O termo, emprestado da Física, representa a capacidade que todos temos de suportar uma grande adversidade e de sair dela sem traumas que nos impeçam de viver uma vida feliz. Para enternder o fenômeno, imagine um elástico, uma mola ou qualquer objeto flexível que por mais que você puxe, estique e precione ele sempre retorna sua forma original, sem sofrer qualquer tipo de desformação.
No caso de ser humano é a mesma coisa, com uma grande vantagem: a pressão nos torna ainda mais resistentes, o que não se verifica na experiência com os objetos. A psicológa Lisete Barlach, autora de uma tese sobre o assunto, afirma que a resiliência, no contexto psicológico, é um adescoberta recente. Começou a ser estudada há pouco mais de 40 anos, quando pesquisadores notaram que algumas comunidades conseguiram lidar com as mais variadas adversidades – guerras, miséria, catástrofes naturais, doenças graves – sem, com isso, deprimir ou desenvolver traumas psicológicos.
Publicidade
