Problema associado a tirepoide

Todo mundo já ouviu falar da tireóide ou teve algum problema associado a ela, mas pouca gente entende a importância dessa glândula, discreta, em forma de borboleta e localizada na parte anterior do pescoço. Para se ter idéia de seu papel, basta compará-la a um maestro regendo um espetáculo no qual as células são os músicos e o metabolismo, a orquestra afinada. Por meio da produção de hormônios tireoideanos, conhecidos por 13 (triiodotironina) e T 4 (tiroxina), ela dita o ritmo da atividade celular e das funções vitais. Quando perde o tom, portanto, há um desequilíbrio no funcionamento geral do organismo.

A glândula traz problemas tanto quando desacelera e produz pouco hormônio (hipotireoidismo) como quando trabalha em excesso (hipertireoidismo), elevando o nível hormonal no sangue. Com o passar do tempo é comum a tireóide querer 'desafinar', especialmente na faixa etária dos 30 aos 50 anos. Uma das razões para esse problema é a presença de nódulos. A grande maioria tem origem benigna mas, a cada 20 casos, um pelo menos é diagnosticado como câncer e precisa ser retirado.

Para esclarecer as doenças associadas à tireóide, os tratamentos e métodos de prevenção, consultamos o endocrinologista João Hamilton Romaldini (SP), professor de endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e o cirurgião Marco Aurélio Kulcsar (SP), da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Cabeça e Pescoço. A seguir, eles respondem às dúvidas mais freqüentes.

Filhos podem herdar a falha da mãe?

Sim. o hipotireoidismo é uma doença congênita comum. O bebê pode nascer sem a tireóide ou com defeitos na glândula, diminuindo a produção dos hormônios. Por isso, o 'teste do pezinho' é tão importante. "Por intermédio dele, os médicos identificam o problema e iniciam um tratamento que deve durar até o terceiro ano de vida", revela Romaldini. Caso contrário, a criança pode sofrer deformações físicas, atraso no crescimento e danos cerebrais no futuro.

E quanto ao hipertireoidismo?

O quadro clínico é Ujustamente o oposto. A tiróide produz hormônios em excesso, o que acelera o metabolismo. Entre os sintomas estão insônia, taquicardia, perda de peso abrupta, irritabilidade e falta de concentração, e acometem, em especial, mulheres entre 20 e 40 anos. Neste caso, a principal causa é a doença auto-imune de Graves, que passa a produzir anticorpos contra a tireóide, porém com uma característica atípica.
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