Não é exagero dizer que, mais do que importante, o cálcio é vital à saúde. Sem ele, o coração, por exemplo, não teria condições de trabalhar como deve, nem o organismo conseguiria metabolizar as proteínas e os carboidratos, nem produzir a energia de que precisamos.

Estas são apenas algumas das funções que o cálcio desempenha para a manutenção da própria vida. Por isso, ele é o mineral que mais conta em nosso organismo. Enquanto o corpo se satisfaz com miligramas de outros minerais, as necessidades diárias de cálcio são medidas em gramas. E há cerca de 1 kg de cálcio no organismo de um homem que pesa em torno de 75 kg.
 
A maior parte - 98% - encontra-se nos ossos, enquanto 1 % fica concentrado nos dentes; e o 1 % restante se distribui por todo o corpo, encarregando-se de funções metabólicas indispensáveis. Por exemplo, ele é fundamental para o bom desempenho do sistema cardiovascular, por duas razões.

Primeira: ajuda no mecanismo de contração de todos os músculos, incluindo-se aí o cardíaco.

Segunda: desempenha papel essencial nos movimentos de contração e relaxamento das fibras musculares existentes nas paredes
internas das artérias, diminuindo ou aumentando o calibre dos vasos sangüíneos conforme a necessidade, o que é fundamental para o equilíbrio da pressão arterial.

No final das contas, pode-se concluir que, numa eventual carência do mineral, o sistema cardiovascular sofreria dobrado, devido à contração insuficiente do músculo cardíaco e à pressão arterial desequilibrada.
As células nervosas também só trabalham corretamente na presença do cálcio. Ele atua nas membranas dos neurônios como uma espécie de estabilizador dos impulsos elétricos positivos e negativos que "correm" por todo nosso sistema nervoso.

A deficiência do mineral, no caso, pode provocar desequilíbrio nas descargas elétricas, propiciando uma hiperexcitabilidade dos neurônios, o que pode ocasionar convulsões. Bom exemplo disso são as crises convulsivas que sofrem os alcoólatras - em geral, supercarentes em vitaminas e minerais, devido a uma dieta desbalanceada. O cálcio ainda tem presença garantida no mecanismo de coagulação do sangue; é componente de vários sistemas enzimáticos, atuando no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras; e também assume papel importante dentro das células, pois integra alguns compostos fosfatados como a ADP (adenosina difosfato) e aATP (adenosina trifosfato), substâncias necessárias para a "fabricação" e o armazenamento da energia intracelular.

Equilíbrio dinâmico: Por tudo isso, o organismo procura manter o nível de cálcio no sangue a todo custo. Quer uma prova? Raras vezes um exame de sangue detecta a falta do mineral na circulação, não importa se ossos ou dentes estejam precisando ou não de reforço. A explicação é simples: o sangue não pode ficar sem aquele 1 % de cálcio que garante as funções metabólicas essenciais. Para manter esse equilíbrio, nosso corpo lança mão de um ativo processo de troca entre ossos e sangue.

Quando há carência no sangue, por exemplo, o organismo "rouba" do imenso estoque existente no tecido ósseo e nos dentes e o deposita na corrente sangüínea, a fim de compensar a perda. Num caminho inverso, se os níveis no sangue estiverem elevados, o mineral será rapidamente depositado no nosso "banco" o esqueleto - ou, então, eliminado pelos rins para evitar problemas cardiovasculares.

As necessidades de cálcio variam de acordo com a faixa etária. Veja quais são:

Idade


Até 6 meses:
Mg de cálcio/dia: 400
6 meses a 1 ano: Mg de cálcio/dia: 600
De 1 a 10 anos: Mg de cálcio/dia: 800
De 11 a 24 anos: Mg de cálcio/dia: 1200
De 25 a 50 anos: Mg de cálcio/dia: 800
Gestantes: Mg de cálcio/dia: 1200
Mulheres entre 50 e 60 anos: Mg de cálcio/dia: 1200
Mulheres amamentando: Mg de cálcio/dia: 1200
Homens entre 50 e 60 anos: Mg de cálcio/dia: 800
Homens e mulheres acima de 60 anos: Mg de cálcio/dia: 1500