Nossa Senhora Aparecida: fiéis opinam sobre polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e padroeira do Brasil

A Sputnik Brasil ouviu moradores de São Paulo sobre religião, política e a figura da padroeira.
Em 23 de setembro, circulou nas redes a alegação de que o senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), apoia proposta para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Em vídeo no dia 24, ele negou.

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A origem do boato é o PL 2.623/2007, do então deputado Professor Victório Galli, que propunha trocar “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado em 2008. Versão semelhante já havia circulado em 2018.

Lula (PT) disse à Band que “esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”.

Em Belém, afirmou que “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”. Janja disse que “o outro lado quer o fim da Padroeira do Brasil”.
Flávio acusou a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudar o PT, e a entidade negou ter participado de qualquer divulgação de informações falsas.

O açougueiro Davi Araújo, católico, afirmou que “ele fala tanto de Jesus, mas não respeita a mãe”. Segundo ele, “é inadmissível você mexer com alguém do tamanho da padroeira”.

A psicóloga Mileidy Garcia Porto disse que a santa é “um símbolo porque está inserido na nossa história” e costuma viver a data na missa.

Ela atribuiu parte do embate às redes sociais, que “afastam mais todo mundo de todo mundo”.

A compradora Aline Seconi, também católica, disse que a devoção vem da infância e da avó: “Ela une a família”. Para ela, “se você tiver uma evolução espiritual e política boa, você não mistura as duas coisas”.

O advogado Alan Brito destacou que “cada um tem que respeitar a religião do outro” e avaliou que o uso de figuras de devoção afeta o sentimento de católicos e evangélicos.

A nutricionista evangélica Isabele Andrade, de 24 anos, acha que não se deve “misturar política com religião”. Para ela, o sagrado não deve se misturar com “algo próprio humano, terreno”.
O professor de História Jefferson Dias afirmou que “a direita faz um uso da religião” para trocar o propósito de irmandade pelo de ascensão ao poder. Segundo ele, a polêmica revela tensão entre uma teologia mais libertária e outra mais conservadora.
Sandra Seara Moreira, que se declarou espiritualista, defendeu que “o Estado laico não é contra a religião”, mas sim “a favor de todas”. Thiago Seara avaliou que a polêmica “é um absurdo” e que “a luta é outra”.
O professor Alexandre Carreira, de religião de matriz africana, alertou que “o reacionarismo e o fascismo estão impregnados em todas as religiões” e defendeu a educação como resposta.
Em outubro de 1717, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves recolheram do Rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Em 1930, Pio XI a proclamou padroeira do Brasil. Em 1980, a Lei 6.802 fixou o 12 de outubro como feriado nacional.

Fonte: Sputnik Brasil.

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