Racha no Ocidente: por que 'velhos' aliados estão se distanciando? Analista explica (VÍDEOS)

Nesse sentido, Igor Estima Sardo, doutorando em ciência política pela UFRGS e pesquisador associado do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE), em entrevista à Sputnik Brasil, aponta que esse cisma entre os aliados transatlânticos vem desde o primeiro mandato de Donald Trump.
O pesquisador explica que o motor desse movimento está nos custos de manutenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Historicamente, os Estados Unidos arcam com a maior fatia dos investimentos da aliança militar, uma disparidade orçamentária que gera forte insatisfação e irritação no atual governo de Donald Trump para com os europeus.
Sardo relembra que a reconfiguração em curso no Oriente Médio, impulsionada pelo conflito direto entre Washington e Teerã, forçou uma mudança profunda na região. O bloqueio do estreito de Ormuz e os bombardeios iranianos contra instalações militares norte-americanas em países árabes acenderam um alerta nos governos locais. Diante dessa vulnerabilidade, passaram a revisar suas estratégias, buscando reduzir a dependência dos Estados Unidos.
No cenário europeu, o analista prevê um movimento similar, caracterizado pela emergência de novas alianças regionais. Contudo, essa tendência não resultaria, de forma automática, na dissolução da OTAN, fundada em 1949, como instituição. Para ele, a estrutura militar transatlântica deve coexistir com novos blocos de defesa locais.
Outro ponto levantado por Sardo é que a administração de Donald Trump e o movimento MAGA (sigla para Make America Great Again, ou "Faça a América Grande de Novo", em tradução livre), do qual o presidente norte-americano é o principal ícone, enxergam os parceiros europeus em uma posição de subordinação em assuntos de segurança.
Em um mundo cada vez mais multipolar, a centralização do poder hegemônico exercida pelo eixo Washington-Bruxelas perde peso de forma irreversível. Esse declínio da preeminência tradicional transatlântica abre espaço para a ascensão de novos polos de influência, como os Estados do Sul Global.

Fonte: Sputnik Brasil.

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