2 de abril de 2020

    Tratado de Psicologia Revolunionária – O Querido Ego

    O Querido Ego – Considerando que superior e inferior são duas seções de uma mesma coisa, não está demais assentar a seguinte dedução: Eu Superior e Eu Inferior são dois aspectos do mesmo Ego tenebroso e pluralizado. O denominado Eu Divino ou Eu Superior, Alter Ego ou algo do estilo, é certamente uma evasiva do Mim-Mesmo, uma forma de Autoengano. Quando o Eu quer continuar aqui e no mais além, se auto-engana com o falso conceito de um Eu Divino Imortal. Nenhum de nós tem um Eu verdadeiro, permanente, imutável, eterno, inefável, etc. Nenhum de nós tem, na verdade, uma verdadeira e autêntica Unidade de Ser; desafortunadamente, nem sequer possuímos uma legítima individualidade.
    O Ego, ainda que continue além do sepulcro, tem, todavia, um princípio e um fim. O Ego, o Eu nunca é algo individual, unitário, unitotal. Obviamente o Eu são “Eus”. No Tibete, os “Eus” são denominados Agregados Psíquicos ou simplesmente Valores, sejam estes últimos positivos ou negativos. Se pensamos em cada Eu como uma pessoa diferente, podemos asseverar de forma enfática o seguinte: Dentro de cada pessoa que vive no mundo existem muitas pessoas. Inquestionavelmente, dentro de cada um de nós vivem muitas pessoas diferentes, algumas melhores, outras piores. Cada um destes “Eus”, cada uma destas pessoas, luta pela supremacia, quer ser exclusiva, controla o cérebro intelectual ou centros emocional e motor cada vez que pode até que outro o substitui.
    A Doutrina dos Muitos “Eus” foi ensinada no Tibete Oriental pelos verdadeiros Clarividentes, pelos autênticos Iluminados. Cada um de nossos defeitos psicológicos está personificado em tal ou qual Eu. Considerando que temos milhares e até milhões de defeitos, ostensivamente, vive muita gente em nosso interior. Em questões psicológicas, pudemos evidenciar claramente que os sujeitos paranóicos, ególatras e mitômanos, por nada na vida abandonariam o culto do querido Ego. Inquestionavelmente, tais pessoas odeiam mortalmente a Doutrina dos Muitos “Eus”.
    Quando alguém realmente quer conhecer a si mesmo, deve auto-observar-se e tratar de conhecer os diferentes “Eus”, que estão radicados em sua personalidade. Se algum de nosso leitores não compreende ainda esta Doutrina dos Muitos “Eus”, deve-se exclusivamente a falta de prática em matéria de Auto-Observação. À medida em que alguém pratica a Auto-Observação Interior vai descobrindo, por si mesmo, as muitas pessoas, os muitos “Eus” que vivem dentro de nossa própria personalidade. Aqueles que negam a Doutrina dos Muitos “Eus”, aqueles que adoram a um Eu Divino, indubitavelmente jamais se auto-observaram seriamente. Falando em estilo socrático, diremos que essas pessoas não só ignoram, como, além disso, ignoram que ignoram. Certamente jamais poderíamos conhecer a nós mesmos sem a auto-observação séria e profunda. Enquanto um sujeito qualquer continua considerando-se como Um, é claro que qualquer mudança interior será algo mais que impossível.

     (Extraído do Tratado de Psicologia Revolunionária,
    de VM Samuel Aun Weor)

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