22 de janeiro de 2020

Tate Modern mudou a cidade – Curiosidade

Tate Modern mudou a cidade

Demorou. Mas Londres finalmente fincou o pé no século 21 quando, em maio de 2000, ganhou seu primeiro museu de arte moderna, cobrindo o desconcertante rombo no tecido cultural da cidade.

Logo, a Tate Modern tornou-se um novo marco à margem sul do Tâmisa, atraindo mais de 3 milhões de pessoas por ano e contribuindo não só para mudar a paisagem como também a vida da capital.

Sua badaladíssima inauguração foi comparada à abertura do MoMa de Nova York, nos anos 20, e do Centro George Pompidou, em Paris, nos anos 70.

A lista de convidados para a festa de abertura incluiu artistas plásticos de primeira grandeza, representantes de instituições de artes e mecenas dos quatro cantos do planeta, além de luminares do mundo pop e de Hollywood.

Picasso atravessa o Tâmisa

Madonna não apareceu, mas lá estavam de Mick Jagger a Damon Hill, do primeiro-ministro Tony Blair a Jarvis Cocker, de Yoko Ono ao designer Alexander McQueen.

Indiscutivelmente, o mega-projeto de mais de 140 milhões de libras foi o investimento mais importante em uma instituição artística britânica, desde a construção do National Theatre, em 1976; e, provavelmente, o de maior impacto no século 20.

A Tate Modern é um milagre da multiplicação.

O novo museu nasce do desmembramento de uma das galerias mais queridas dos londrinos e turistas: a Tate Gallery, que atraía mais de 2,5 milhões de visitantes por ano mas há anos sofria de falta de espaço e, por isso, era constrangida a expor uma pequena fração da coleção.

Rebatizada de Tate Britain, ela passa a ser o repositório da arte britânica, desde o século 16 aos dias de hoje.

Picasso, Matisse, Mondrian, Duchamp, Salvador Dalí, Giacometti, Pollock, Rothko, Francis Bacon e Andy Warhol, entre dezenas de grandes nomes das artes do século 20, atravessaram o Tâmisa e agora habitam o prédio onde funcionou uma usina elétrica.

Nasce um museu

A imponente construção concebida nos anos 40 pelo arquiteto Sir Giles Gilbert Scott (o mesmo que criou as cabines telefônicas vermelhas, cartão postal de Londres) e desativada no início dos anos 80, foi convertida na nova Tate pelos arquitetos suíços Herzog e de Meuron, até então ilustres desconhecidos.

O resultado é imponente – tanto o vastíssimo espaço interno (com galerias de vidro que emergem das paredes de concreto) quanto a rigorosa estrutura externa (que à noite, ganha um toque especial com a iluminação dos andares de vidro adicionados pelos arquitetos suíços).

A Tate Modern tem a intenção de estender seus interesses para além da fronteira das artes plásticas (abrindo espaço também para cinema, dança, arquitetura e design) e para além da linha imaginária que costuma alienar dos grandes museus e galerias dos países desenvolvidos a arte produzida no resto do mundo.

O primeiro passo nesta direção foi dado no início de 2001 com a mostra focalizada em 9 cidades de diferentes continentes que, em algum momento do século 20, foram consideradas fontes de influência. Um dos destaques foi o Rio de Janeiro dos anos 60.

As duas Tate mantêm o acesso gratuito, exceto para as exposições temporárias.
Um serviço de barco cobre o percurso entre as duas galerias.

Na opinião do escultor Antony Gormley, a Tate Modern “aponta para um novo mundo, uma nova cultura que nasce das cinzas da revolução industrial”.

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