28 de março de 2020

    Sobravivendo à perda – Relação Familiar

    SOBREVIVENDO À PERDA – Durante a vida, experimentamos vários tipos de perda: *Perdas óbvias (a morte de um ente querido; o fim de um caso de amor; separação divórcio).* Perdas não tão óbvias (perda de dinheiro; perda da saúde; perda de um ideal; perda de um amigo). *Perdas relacionadas com a idade (sonhos da infância; romances adolescentes; perda da “juventude”, da beleza). *Outras perdas – perdas temporárias (marido ausente, filho ou filha estudando fora, um assalto, um mau período nos negócios) não deixam de ser perdas, embora saibamos que, eventualmente, tudo se resolverá. Há também as inúmeras “miniperdas”, que tendem a se acumular durante um dia, uma semana, um mês ou uma vida. Uma amassadela no carro aqui, um telefonema ali, e logo a gente se acha “inexplicavelmente” deprimido.
    As emoções despertadas pela separação, como você viu, são muitas. Mas todas elas poderiam ser reduzidas a uma enorme e intolerável dor. A sensação, nessa hora, é de que a dor nunca mais vai passar. No entanto, ela passa. Pode acreditar. Mas existem algumas coisas que podemos fazer para atravessar esse processo tão difícil e sair dele mais fortes e mais conscientes. São conselhos de dois terapeutas americanos, Melba Colgrove e Harold H. Bloomfield, autores do livro Como sobreviver a um amor perdido. A primeira providência a tomar quando se perde um amor é aceitar a perda. Durante algum tempo, você pode ficar em estado de choque, acreditando e desacreditando no rompimento. Mas é preciso enfrentar a realidade. A perda é real. Aceite. Você tem forças suficientes para sobreviver a ela. Não negue também a dor que está sentindo. Ela prova que você está vivo e é capaz de reagir às experiências da vida. Sofra por algum tempo. Pense que todo mundo enfrenta perdas na vida. Essa é uma constatação que ajuda a diminuir o sofrimento, porque a gente não se sente tão sozinho. Saber que existem companheiros nessa trincheira é muito Consolador. Mas lembre também que você é muito maior do que a ferida emocional que está sentindo. É claro que a perda fez sua auto-estima diminuir. Você pode estar cheio de culpa, condenação e autocensura, mas esses pensamentos são apenas sintomas da tensão que você está enfrentando. Na verdade, você é um ser humano bom, íntegro e digno. Saiba ainda que, embora não possa parecer, é da natureza do processo de cura ter um começo, um meio e um fim. E o fim não está tão longe assim. Você vai sarar, a natureza trabalha a seu favor. Só que esse processo leva tempo.
    Quanto maior a perda, mais tempo passará até o restabelecimento, mas ele virá. É preciso não esquecer que esse processo não é linear, tem idas e vindas, altos e baixos, saltos dramáticos e grandes deslizes. O importante é que ele já está em andamento. Trabalhar ajuda a reparar os danos emocionais. Mas vá com calma. Encaixe momentos de descanso na sua rotina diária. Planeje ir para a cama mais cedo e dormir até um pouco mais tarde. Seu corpo precisa de energia para se recuperar. Porém, não se torne letárgico. Vá, na medida do possível, se mantendo ocupado. Isso lhe dará um sentido de ordem, alguma coisa a que se apegar. Não altere muito os seus hábitos alimentares. Não é hora de entrar de cabeça num regime para emagrecer, por exemplo. Seja corajoso o bastante para aceitar a ajuda dos outros. É normal procurar Consolo. Algumas pessoas sabem consolar tão bem que o fazem profissionalmente. Se quiser, busque ajuda de um terapeuta, alguém com quem você se sinta à vontade. Mas, principalmente, não se isole da vida. Além do contato com parentes e amigos, procure se cercar de coisas vivas. Traga para o seu dia-a-dia o cachorro que você sempre quis, um aquário com peixes ou mesmo alguns vasos de plantas. Regar uma planta todos os dias nos dá uma sensação de que a vida continua e está aí para ser vivida.
    Quando estamos sofrendo as conseqüências de uma perda, não é bom tomar grandes decisões. Adie resoluções importantes. Sua cabeça não está em plena forma. Os amigos e a família podem tomar muitas das pequenas decisões por você. Já houve muita modificação em sua vida nos últimos tempos. Aos poucos, você vai começar a sentir que está mais forte. Quando puder, perdoe a outra pessoa. E, principalmente, quando puder, perdoe também a si próprio. Agora que a dor diminuiu, sua compreensão pode aumentar. Você vai começar a enxergar as coisas boas que aconteceram no antigo relacionamento e que continuam a existir em sua vida, fazem parte da sua história. Você é hoje uma pessoa melhor por ter amado, participado, investido numa relação a dois. À medida que você sarar, notará que o seu raciocínio ficará mais agudo, as suas decisões mais seguras. A sua capacidade de concentração também vai melhorar e a sua visão do mundo vai se ampliar. Abra-se a novas experiências. Aumente seu círculo de amizades, vá a reuniões, festas, desenvolva novos interesses. Não se esqueça também das antigas atividades que você relegou a segundo plano. Redescubra aquelas que lhe davam maior satisfação e retome-as. À medida que você for se liberando da dor, você vai começar a apreciar de novo a vida. Saboreie o pôr-do-sol, a risada das crianças, as ruas da sua cidade. Você está no compasso do universo outra vez. Pode, inclusive, ficar confortavelmente sozinho consigo mesmo de novo. Explore também seu mundo pessoal e interior. Redescubra sua liberdade, sua capacidade de se autodeterminar. O momento agora é de começar um novo capítulo em sua vida.

     (Extraído do Livro ” AMAR É PRECISO” , Maria Helena Matarazzo)

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