18 de fevereiro de 2020

Pesquisa polêmica relaciona câncer infantil a poluição – Saúde

Pesquisa polêmica relaciona câncer infantil a poluição

Uma pesquisa polêmica feita na Grã-Bretanha sugere que exposição de um feto ainda na barriga da mãe à poluição ambiental pode levar a um aumento do risco de a criança desenvolver câncer.

Crianças nascidas perto de áreas com alta concentração de emissões de gases poluidores teriam maior possibilidade de morrer de câncer antes de completar 16 anos de idade.

Embora o estudo, publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, não seja conclusivo, seu autor, George Knox, acredita que a ameaça representada pela poluição é real.

Knox é professor da Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha, e analisou o mapa de emissões químicas no país de 2001 e detalhes de crianças com menos de 16 anos que morreram de leucemia e outros tipos de câncer entre 1966 e 1980.

Ele sugeriu que crianças nascidas em um raio de um quilômetro dos locais onde havia maior concentração de emissões de determinados produtos químicos tinham a probabilidade duas a quatro vezes maior de morrer de câncer antes de chegar aos 16, se comparadas com outras crianças que estiveram no mesmo ambiente.

Proximidade a emissões de 1,3-butadieno e monóxido de carbono, que saem do escapamento de veículos, resultaram nos riscos mais altos.

Exposição cedo

Knox acredita que as mães podem inalar toxinas do meio ambiente e passá-las para o feto pela placenta.

“É justo admitir que uma ou mais destas substâncias são prejudiciais”, disse Knox. “Nós sabemos que várias são cancerígenas em animais.”

O especialista admitiu, no entanto, que as emissões diminuíram ao longo dos anos e que havia uma interrupção de décadas entre as mortes que ele examinou e os dados relativos à poluição.

Ele também disse que esta é mais uma preocupação com o nível de poluição e que indivíduos não deveriam ficar alarmados com sua descoberta.

“O risco de uma criança ter um câncer é cerca de uma em mil. Nos locais mais críticos é de duas a quatro em mil, então o risco ainda é baixo.”

Mas o pesquisador acha que as emissões deveriam ser reduzidas e que é necessário realizar mais pesquisas sobre o assunto.

Oncologistas acreditam que a pesquisa tem graves falhas e deve ser vista com cautela.
Um porta-voz do Fundo de Pesquisa da Leucemia disse: “O fundo de Pesquisa da Leucemia não acredita que esta pesquisa demonstra que a poluição atmosférica desempenhe um papel-chave no desenvolvimento da leucemia infantil”.

“Ela utiliza dados de emissões atmosféricas de 2001, mas relaciona isto a nascimentos ocorridos até 40 anos antes.”

“Nós não gostaríamos que pais sintam que podem, de alguma forma, ter culpa pela doença de seus filhos.”

Anthony Michalski, do Instituto de Saúde da Criança, disse: “A incidência da maioria dos tumores pediátricos é relativamente semelhante em países industrializados e não-industrializados e não deveria acontecer isso se esta hipótese fosse correta.”

Lesley Walker, da Pesquisa do Câncer da Grã-Bretanha, disse que as evidências apresentadas na pesquisa são “muito ralas”.

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