19 de janeiro de 2020

O Significado Oculto da Yoga – As Linhas da Yoga – Esoterismo

As Linhas da Yoga A Yoga sempre esteve intimamente ligada ao ritual religioso dos antigos indianos, devolvendo, portanto, no curso do tempo, um imenso corpo de práticas e elaboradas teorias. O legado da Yoga foi transmitido oralmente de mestre para discípulo por muitas gerações e, neste processo, recebeu muitas alterações. Assim, a Yoga não é, de maneira alguma, um todo homogêneo. Seus pontos de vista e práticas variam de escola para escola. Não há apenas uma Yoga, mas uma variedade de caminhos ióguicos e abordagens com estruturas e objetivos teóricos contrastantes.
Quando folheamos os livros primitivos da Yoga, nossa atenção é fortemente atraída pela linguagem profunda e simbólica em que foram escritos. ao leigo, parece uma série de disparates, uma coleção de exageros absurdos, de tal sorte, que os primeiros investigadores ocidentais, que empreenderam seu estudo, tiveram que abandoná-lo desanimados, enquanto outros negavam-lhe mesmo um valor mais elevado. Com o tempo, alguns mestres consentiram em ajudar aos “sinceros investigadores” ocidentais, passando a transcrever em linguagem moderna os textos clássicos, acrescentando-lhes comentários para esclarecer significados duvidosos. Isto possibilitou separar, de maneira clara, o conteúdo científico, cultural, filosófico, religioso e mitológico próprios da época e locais em que foram escritos. Dessa maneira, atualmente dispomos de bons textos, acessíveis ao estudioso que se interesse pelo assunto.
Historicamente, o mais precioso de todos os tipos de Yoga é o sistema clássico de Patanjali, que representa o resumo de muitas gerações de cultura ióguica que, apesar de ser um tratado básico de Raja-Yoga, constitui uma espécie de síntese, integrando tudo numa unidade orgânica. Além desta escola, tida como um dos seis sistemas ortodoxos do Hinduísmo, existem numerosas outras Yogas não-sistemáticas, frequentemente misturadas com conceitos populares. Há também algumas Yogas nas esferas dos ensinamentos budistas e jainistas.
Definimos anteriormente a Yoga como a ciência da união, da interação humana. Neste sentido, todas as espécies de Yoga têm o mesmo fim. O que determina e qualifica as diferentes técnicas não é o seu objetivo, mas seus meios, os instrumentos e mecanismos que empregam, de maneira predominante, caracterizando cada uma de suas escolas.
As principais classes ou sistemas de Yoga podem servir a diferentes pessoas, da seguinte forma:
1. O mais disposto fisicamente se sentirá atraído para o HATHA-YOGA (na trilha do equilíbrio psíquico-orgânico), que utiliza o domínio externo e interno do corpo como ponto de partida e como meio para chegar à sua integração. O HATA-YOGA tem a função de limpar as vidraças do corpo para que a luz penetre. Lavar a alma das enfermidades e fraquezas para que o diamante do espírito reflita o “Sol Infinito”. É um sistema de técnicas psicossomáticas que servem de instrumento para transformar o corpo físico num “corpo divino”.
2. O talentoso meditativo obterá muitos benefícios do RAJA-YOGA (a mente a serviço da descoberta maior), que utiliza o domínio interno dos mecanismos da atividade mental. Os caminhos da mente já foram percorridos bem antes de Freud – como demonstram os antigos ensinamentos hindus, sobretudo os contidos na prática do Raja-Yoga. O controle mental e a natureza pacífica e mística da filosofia hindu tiveram como fiel representante um homem notável: Mahatma Gandhi, que deflagrou uma revolução sem armas ou qualquer tipo de agressão. O fim derradeiro do poder de concentração é o plano espiritual, onde o yogue terá condições de vislumbrar um mundo além da morte e percorrer o passado e o futuro, tendo a disciplina como ponte.
3. O que se preocupa com a ética procurará o KARMA-YOGA (ação, reação e liberdade), que emprega a atividade externa, a vida ativa, com renúncia progressiva ao objeto da ação. Nessa linha da Yoga estão contidos os ensinamentos de que o trabalho de cada indivíduo na Terra deve ser feito com amor, sem egoísmo, já que pela Lei do Karma – a cada ação corresponde uma reação. Então, os frutos do amor serão de caráter libertário e os ideais possessivos fatalmente levarão ao sofrimento… No ciclo-reflexo de causa e efeito, este sofrimento também se destina a libertar a alma.
4. O tipo emocional deve provavelmente sentir-se atraído pelo BHAKTI-YOGA (ciência do amor a Deus), que é a prática do amor e devoção a Deus, a serviço do próximo. Às pessoas sensíveis, emotivas, com profundo sentimento de amor e devoção, a prática do Bhakti-Yoga cai como uma luva. Muitos cristãos, de forma consciente ou não, conseguem a evolução espiritual maior seguindo caminhos previstos pelo Bhakti. As pessoas devotas, entretanto, correm o risco de serem igualmente fanáticas, esquecendo que “a luz de Deus paira mesmo sobre os que negam sua existência”.
5. O de espírito intelectual e filosófico identificar-se-á com o JNANA-YOGA (Caminho da Sabedoria), que emprega o discernimento e conhecimento abstrato. As cortinas da ilusão serão rasgadas pelo praticante do Jnana-Yoga, pois ele, como um perfeito investigador da verdade, não dará importância aos prazeres que podem oferecer os sentidos comuns. Sua meta é o conhecimento último, que não pode ser alcançado apenas com trabalho, devoção ou meditação. A sinceridade no caminho da sabedoria, em busca da verdadeira natureza usando o intelecto, é um passo decisivo.
6. Aquele que se identifica com os sons internos e externos tenderá para o MANTRA-YOGA (O Sopro Divino), que usa o domínio do som, e a aplicação do ritmo a determinadas combinações de sons. Mantra é um som místico, sagrado que, evocado de forma silenciosa ou em voz alta, ajuda a concentração mental e a elevação do espírito. Os ensinamentos de Yoga apontam que esse som será um segredo do mestre revelado ao seu discípulo. Sabe-se que os mantras e toda filosofia e música da Índia influenciaram o trabalho dos Beatles, trazendo novas luzes à música ocidental.
7. O ser voltado para o domínio das energias sutis, com certeza será encaminhado para a prática do TANTRA-YOGA (Kundalini, energia adormecida), que emprega o exercício das energias psíquicas e fisiológicas. Libertar a energia adormecida no corpo é função do Kundalini-Yoga, ou Tantra-Yoga. Essa energia (ou serpente), raiz de todos os poderes do ser individual, é chamada Kundalini. Segundo os yogues, Kundalini descansa na base do tronco do corpo (no centro energético) e, embora seja raro, pode ser ativado com uma simples queda.
Resta salientar que estas formas de Yoga conquistaram um lugar proeminente na espiritualidade indiana.

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