27 de fevereiro de 2020

    Natureza por água abaixo – Curiosidades e Informações


    Áreas inundadas por reservatórios de hidrelétricas abrigaram animais raros e belíssimas paisagens.

    Natureza por água abaixo – O elevado impacto ambiental foi o principal ponto em comum das construções de quatro usinas hidrelétricas brasileiras, cujas obras começaram nas décadas de 70 e 80 e que hoje estão em funcionamento: Xingó, na divisa de Sergipe e Alagoas, no Rio São Francisco; Serra da Mesa, no curso principal do Rio Tocantins, em Goiás; Rosana, no Rio Paranapanema, entre os municípios de Diamante do Norte, no Paraná, e de Rosana, em São Paulo; e Itaipu, construída no Rio Paraná, na divisa das cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Presidente Stroessner, no Paraguai.
    Da área de 60 Km2 desmatada para a construção da hidrelétrica de Xingó foram capturados cerca de 4 mil animais, de um total de aproximadamente 10 mil que habitavam a região. As dificuldades encontradas pelas equipes de resgate envolveram desde o curto prazo de uma semana para a finalização do trabalho, antes do alagamento, até a falta de material de coleta para espécies pequenas, como aranhas, escorpiões e sapos. Além disso, os prazos estipulados para que os animais fossem enviados para universidades e centros de pesquisa – de 3 a 4 dias – não foram cumpridos. Isso provocou a alta mortandade das espécies que já haviam sido capturadas.
    Mais organizado e com maior infra-estrutura, o resgate dos animais da área inundada em Serra da Mesa obteve maior sucesso. Cerca de 20 mil animais – aproximadamente metade dos que habitavam a região – foram capturados na “Operação Lobo Guará”.
    A partir dessa estrutura montada para a captura e catalogação, diversos insetos, aracnídeos, anfíbios e mamíferos foram transportados para universidades, parques zoológicos e vários institutos de pesquisa. 
    O resgate de espécies nativas mais bem-sucedido – em comparação aos que ocorreram em Xingó, Serra da Mesa e Itaipu – foi realizado na área inundada pela usina hidrelétrica de Rosana. Foram salvos cerca de 10 mil animais, entre os quase 20 mil nativos do local. Desses, o que mereceu maior atenção foi o mico-leão-preto, uma espécie brasileira que era considerada pelos cientistas como extinta havia mais de 70 anos. 
    Um grupo desses macacos apareceu quando a mata foi derrubada para a implantação da usina. As raridades foram levadas para instituições como o zoológico de São Paulo e o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.
    Uma das maiores destruições decorrentes da construção da usina hidrelétrica de Itaipu foi o desaparecimento do salto de Sete Quedas do Guaíra. Com seus 90 saltos e um desnível de 100 metros, a cachoeira – que levou cerca de 50 mil anos para ser esculpida pela natureza – foi submersa pelo represamento do Rio Paraná, que deu origem ao gigantesco lago de Itaipu.
    Batizada de “mymba kuera” (“pega bicho”, em guarani), a operação de resgate elaborada na margem brasileira do Rio Paraná para o salvamento da fauna selvagem assegurou a preservação de centenas de espécies de animais.
    Entre os bichos salvos pelas equipes de resgate, estão roedores como ratos-do-mato, marsupiais pouco conhecidos como a mucura, e raridades que viviam no lado paraguaio, como veados e onças-pintadas. Fonte: Revista Galileu.

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