23 de janeiro de 2020

Mulheres Atrevidas – Amor e Paixões

Mulheres Atrevidas – Cada vez mais as mulheres tomam a iniciativa na hora da paquera. A maioria dos homens ainda está meio ressabiada, mas muitos já curtem a cantada e gostam de se sentir desejados. Os tempos são modernos, mas as atitudes são antigas – pelo menos na maneira como os homens encaram a paquera. Nessa hora, a maioria deles ainda prefere tomar a iniciativa. Pegam o tacape (ou o buquê de flores) e avançam sobre a mulher dos desejos arrastando-a pelos cabelos (ou alisando-os com carinho) até a caverna (ou o quarto). Ocorre que os tempos e o comportamento são realmente outros para muitas mulheres, que já não se contentam em esperar pela disposição masculina e se lançam à caça cada vez com mais ousadia e objetividade. Resultado desse encontro? Recuo deles, frustração delas e placar não raro de zero a zero na primeira aproximação. 
Ajustar a sintonia da paquera exige compreensão dos dois lados. “O homem se assusta com a iniciativa feminina porque acredita piamente que a conquista é um dos poucos direitos ainda exclusivos dele”, explica um terapeuta. O dilema masculino é mais ou menos o seguinte: “Se até na hora da cantada ela faz meu papel, o que sobrou para mim?” Deslocado num cenário em que passou a dividir funções-chave, como sustentar a família, o homem se sente mal em ceder mais um pedaço de terra ao outro lado. “Para muitos deles, a idéia de igualdade entre os sexos ainda tem sabor de inferioridade”, diz a terapeuta Rosane Landmann, de São Paulo.
Na defensiva, com medo de perder o controle da situação, o paquerado costuma reagir de duas formas diante de uma cantada incisiva: ou escapa feito sabonete, fingindo que nada daquilo é com ele, ou afia as unhas e procura manchar a reputação da paqueradora. “Uma menina que diz ‘eu quero você’ logo de cara deve falar a mesma coisa a todos os outros”, reclama João Carlos, modelo de 25 anos. Para Francisco Barbosa, o pé atrás com as cantadas do gênero tem a ver com a insegurança masculina quanto à infidelidade e ao sentimento de posse. A falta de recato da mulher demonstra certa experiência. Ela provavelmente teve outros relacionamentos e, por esse motivo, se sente mais à vontade para tomar a iniciativa esta vez. “Infelizmente, o homem ainda não percebeu que pouco importa se é o primeiro da vida de uma mulher, mas, sim, se será o último”, lembra a terapeuta.
Há outro componente para o recuo masculino diante da abordagem feminina: o medo de cair na armadilha do compromisso. Segundo a terapeuta, sobrevive no inconsciente do homem a certeza de que a mulher se aproxima dele para podar-lhe a liberdade. “Desde pequeno ele ouve que menina ousada é aquela que arma o bote para amarrá-lo ao casamento”, ressalta ela. Na dúvida se está sendo manipulado, prefere dar as cartas e tomar a rédea da conquista.
Claro que existem atitudes modernas para tempos modernos. Alguns homens não se importam e até gostam de se tornar objeto (explícito) do desejo. Mesmo eles, porém, se juntam ao coro para reclamar do excesso de ousadia. “Adoro me sentir cortejado, só que algumas moças já vêm abraçando ou beliscando, o que é muito chato”, reclama o analista de sistemas João Francisco, 40 anos. “A gente se diverte com a cantada fora de hora, mas isso desvaloriza a pessoa e descarta qualquer possibilidade de aproximação”, diz o advogado Pedro Aguiar, 28 anos.
A psicanalista Sônia Sanglands gosta de comparar a fase da paquera com a dança: “Embora o homem normalmente conduza a mulher, é ela quem autoriza o movimento”. Os dois se saem melhor quando um não insiste em controlar ou possuir o outro. Conquistar, afirma ela, não é obrigar alguém a fazer o que se deseja, mas deixar a pessoa livre para escolher estar (ou não) ao nosso lado.
Para entrar no ritmo, a troca de olhares ainda é infalível. Segundo pesquisa americana, três segundos de olho no olho é tempo suficiente para perceber o interesse do outro e deixar claro o próprio – desde que haja espontaneidade. Olhar dissimulado ou ensaiado provoca desconfiança. O mesmo vale para a cantada em si. Lugares-comuns, do tipo “Não conheço você de algum lugar?” ou “Você vem sempre aqui?”, generalizam o contado, como se a pessoa visada não fosse especial. “Quebrar a indiferença de um jeito romântico e interessado continua atual como nunca”, afirma a terapeuta. Ninguém, homem ou mulher, consegue resistir a isso, seja de quem for a iniciativa.

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