4 de abril de 2020

    Mulher e Mulher – A Polêmica questão do Aborto

    A POLÊMICA QUESTÃO DO ABORTO  – O direito à vida não deveria comportar discussões nem seria objeto de polêmicas, pois representa o mais sagrado direito do homem: o direito de existir. Todos os demais direitos, direito à saúde, direito à propriedade, direito a ter e criar filhos, direito de se expressar etc., são decorrentes do direito que tem o homem de nascer. Mas, porque nos últimos tempos o direito à vida tornou-se objeto de inúmeras discussões? Por que tanto recurso financeiro destinado a eliminar a vida nascente? Quais os interesses que se escondem por trás de tudo isso? O primeiro motivo é o egoísmo dos que tiveram o direito de nascer e negam esse direito aos demais. O egoísmo levou os países ricos, que não quererem perder o poder político e a dominação do mundo, a defenderem a contracepção e o aborto. Por outro lado, o egoísmo dos detentores da riqueza do mundo, procuram eliminar os que poderiam lhes tirar alguma parcela. Estes, julgando-se portadores de “sangue puro”, descendentes de uma “raça superior” defendem a tese da não proliferação do que denominam de “sub-raça” aqui compreendidos os pobres, os negros e mulatos para usar a expressão de Margareth Sanger, a criadora da IPPF – International Planned Parenthood Federation, citada por E. Drogin em seu livro “Margareth Sanger – Arquiteta do Mundo Moderno”. A partir desses princípios vemos, hoje, uma verdadeira guerra entre os opositores e os defensores do direito à vida. A existência de fabulosos recursos e do poder político envolvidos nos programas de eliminação de vidas humanas, encontram explicação na própria origem desses grupos – os detentores do poder e da riqueza. Como demonstração do poder político, os países ricos, conhecidos como países do Primeiro Mundo, não somente injetam recursos para a implementação de projetos anti-vida, como procuram incentivar e manipular conferências internacionais com a intenção de pressionar e impor seus objetivos aos demais países. Assim foi na Conferência do Cairo, na Conferência de Beijing e na conferência de Istambul (Habitat II). Ainda agora, na conferência de cúpula da FAO (13-17 de novembro/96), o assunto é objeto de discussão. Já os grupos privados, utilizando-se dos incentivos fiscais em seus respectivos países, injetam recursos nos conhecidos projetos anti-vida, que são executados pelos mesmos agentes encarregados dos projetos de origem política: governos, fundações e as denominadas ONGs (organizações não governamentais). Para viabilizar seus projetos e obter a “colaboração” da sociedade os promotores da “cultura da morte” usam de pressões, de subterfúgios, meias-verdades e até mesmo de inverdades. Dessa maneira, muitas pessoas e instituições, não devidamente informadas, trabalham nos projetos de destruição da vida sem saber. Daí o temor daqueles grupos na divulgação de informações que levem ao público os verdadeiros objetivos de seus projetos. Sem nenhuma dúvida, o melhor trabalho que se pode fazer em defesa da vida é divulgar informações sobre os projetos, estratégias e objetivos dos antinatalistas. Alguns exemplos poderão ilustrar essa afirmação. Na Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher, em Beijing, procuraram defender o aborto como “um direito humano” e que os governos deveriam fazer valer esse direito. O aborto é sempre mencionado pela expressão “saúde reprodutiva” que significa, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, “interrupção da gravidez não desejada”, em outras palavras – aborto a pedido. A própria expressão “planejamento familiar” era usada antes, com a denominação de “controle da natalidade”. Hoje a expressão planejamento familiar significa “controle de nascimentos”. Expressões como “educação familiar”, “educação para a saúde sexual e reprodutiva” são usadas para significar “educação sexual”. Como estratégias, para envolver pessoas e instituições os grupos defensores do controle da natalidade, dizem que defendem “os direitos da mulher”: o direito de ter ou não ter filhos, o direito de melhor qualidade de vida, a igualdade de direitos com os homens, o direito ao “planejamento familiar” etc. Em verdade estão explorando as mulheres e tornando-as escravas do imperialismo contraceptivo, usando da boa fé de muitas delas. Os objetivos, como dissemos, estão sempre ocultos. Vamos a um outro exemplo. O UNICEF que, em sua origem, tinha como único propósito cuidar da atenção à criança, promovendo a saúde e o bem-estar, tem atualmente assumido projetos antivida. Para não falar de seus projetos antinatalistas em outros países vejamos alguns projetos que o UNICEF tem assumido entre nós. Poucos sabem que aquele organismo internacional promove, juntamente com outras organizações, a contracepção e apóia o “lobby” do aborto no Congresso Nacional. Se essa informação fosse amplamente divulgada muitos, que são contrários ao aborto, não colaborariam com as campanhas para angariar fundos para o UNICEF que, em virtude dos projetos sociais, como o que é realizado com a Pastoral da Criança, transmite a imagem de uma organização preocupada com a saúde e o bem-estar das crianças pobres. Uma outra estratégia utilizada é criar e/ou apoiar ONGs com denominação de “fachada” para a execução dos projetos antivida: “Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar – BEMFAM”, “Católicas pelo Direito de Decidir – CDD” são exemplos dessas denominações. A BEMFAM, afiliada à IPPF, em Londres é a maior entidade privada promotora da esterilização da educação sexual hedonista, e do aborto. Apesar de sua denominação de “Bem-Estar Familiar”. Já as “Católicas pelo Direito de Decidir” é uma organização não católica, dirigida por ex-freiras e ex-padres que, passando-se por católica, leva muitos a ingressarem em suas fileiras e defenderem o aborto, o “casamento” de homossexuais e a combater a doutrina da Igreja. Um claro exemplo disso é o engajamento do Pe. Christian De Paul De Barchifontaine na campanha para legalização do aborto no Brasil. O depoimento desse padre no vídeo “Aborto Legal”, suas entrevistas na TV e seus artigos defendendo o aborto, levam muitos a pensarem que a doutrina da Igreja admite o aborto, pelo menos em certas situações. Ainda recentemente a Revista Manchete (12.10.96) em uma grande reportagem defendendo o aborto e sua legalização, cita o Pe. Christian: “Em São Paulo, o professor de Bioética, Christian De Paul De Barchifontaine, faz uma análise das diferentes escolas que discutem o início da vida e questiona a chamada teoria concepcionista, que situa a vida no momento exato da concepção e é defendida pela Igreja: ‘Nesse caso, o que dizer dos abortos espontâneos? É um desperdício da natureza?’. O comentário (prossegue a matéria da Manchete) não seria muito natural se, entre suas múltiplas atividades (enfermeiro e diretor de Faculdade), o Dr. Barchifontaine não fosse também o padre Christian, que não esconde a contrariedade sobre a posição de sua Igreja: ‘O que ela deveria fazer era promover mais a educação, admitir e transmitir as informações sobre os métodos anticoncepcionais. A ciência existe para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a Igreja tem que caminhar com estas evoluções’. Na questão do aborto, padre Christian é francamente feminista: ‘Quem conhece o sofrimento pelo qual passa uma mulher que aborta? Qual é o ombro ao qual ela pode recorrer? A sociedade culpa e marginaliza a mulher, mas, até onde sei, são necessárias duas pessoas para se fazer um filho'”. Não se pode alegar que o Pe. Christian não tenha informações sobre a vida humana, pois é professor de bioética. Mas, certamente, não está atualizado com suas informações. É indiscutível o fato da Igreja fundamentar sua doutrina não só à luz da fé mas, também, baseada na ciência. É hoje fato aceito, sem discussão, pela ciência, que o início da vida se dá com a concepção. O Santo Padre tem em suas academias (Pontifícia Academia de Ciências, Pontifícia Academia para a Vida, Pontifícia Academia de Ciências Sociais) cientistas do mais alto nível, muitos deles prêmio nobel. O Prof. Jerôme Lejeune, membro da Pontifícia Academia de Ciências, 1º Presidente da Pontifícia Academia para a Vida e um dos maiores geneticistas, descobridor da causa genética da Síndrome de Dow, afirmou perante a Corte de Justiça do Tennessee: “No momento em que o espermatozóide penetra no óvulo, um novo ser humano começa a existir e a traçar sua trajetória única, diferente de todos os que já existiram e que existirão em face do cruzamento das inúmeras combinações genéticas que se processam na intimidade da zona pelúcida”. Ou o Pe. Christian está sendo ingênuo e se tornando um inocente útil, apoiando os projetos antivida, ou é um “virtual” membro da organização “Católicas pelo Direito de Decidir”. O fato é que está desatualizado com relação aos estudos da genética. Qualquer que seja sua situação, suas idéias contrariam frontalmente a doutrina da Igreja e, por conseguinte, não deveria continuar em suas fileiras. Assim como Pe. Christian, alguns poucos padres tem uma concepção errônea sobre a origem da vida e defendem, por isso, o aborto a pedido. Não fosse a intransigente defesa da vida feita por João Paulo II, os Cardeais e todo o Episcopado, os católicos poderiam ficar em dúvida quanto à licitude do aborto. A recente encíclica “Evangelium Vitae” não deixa dúvida quanto à posição da Igreja nesse particular. O aborto é punido com a excomunhão automática (Código de Direito Canônico). Entre nós, todos os bispos, sem exceção, não admitem o aborto a pedido. Muitos deles publicam artigos, veiculados pela imprensa, defendendo a vida “desde a concepção”. Entre outros podemos citar os Cardeais D. Eugênio Sales, D. Lucas Moreira Neves (Presidente da CNBB), D. José Freire Falcão, D. Luciano Mendes de Almeida e tantos outros. É evidente que os abortistas usam pessoas desinformadas, até mesmo padres e freiras, para, como inocentes úteis, defenderem suas ideologias. É necessário que os defensores da vida se informem, conheçam bem os promotores da “cultura da morte”, suas artimanhas e estratégias para melhor combater a ideologia antivida e não se tornem colaboradores dos que promovem a “cultura da morte”.

    Sobre o Autor

    O despertar da Consciência é nosso sistema de publicação automático dos conteúdos.

      Postagens Relacionadas