18 de fevereiro de 2020

Histórias de Alagoas

Histórias de Alagoas – Segundo Alexandre Von Humboldt, que se baseia no clássico quinhentista João de Barros, foram alagoanas as primeiras terras avistadas por Cabral, a 10 graus de latitude austral. O historiador pernambucano José Bernardo Fernandes Gama sustenta opinião idêntica. A leitura da carta de Pero Vaz de Caminha não consolida essa versão, que, aliás, não prosperou. Mas, é certo que o navio comandado por Cabral a Lisboa, com a comunicação de sua descoberta, custeou o litoral alagoano. Antes da descoberta portuguesa, o litoral alagoano já era conhecido dos europeus, no caso os piratas franceses. Foram estes os primeiros homens brancos a pisar as terras alagoanas. Vinham comerciar com os caetés. Trocavam facas, tesouras, pentes, espelhos e machados por pau-brasil, araras, papagaios, macacos e algodão. Em suas relações com os índios, que os estimavam, diferenciavam-se dos portugueses, estes sempre, ou quase sempre, inclinados a escravizar os indígenas e saquear as tribos. Os franceses permaneciam em terra, nos seus portos, durante o tempo da derrubada e carregamento das madeiras. Assim, cabe-lhes a primazia no processo de miscigenação. Os primeiros mamelucos alagoanos foram decerto, mistura de francês e índio
De todos os índios brasileiros, foram os caetés das Alagoas os que mais odiaram os portugueses, os quais terminaram por dizimá-los, em implacáveis caçadas.
A convivência do índio alagoano com o corsário francês foi uma das causas determinantes da colonização do Brasil. Concluíram os portugueses que, sem a ocupação da Terra de Santa Cruz – já então chamada de Brasil, por causa de seu pau corante -, haveriam de perdê-la para os franceses.

Em 1556, produziu-se na costa sul das Alagoas, entre Coruripe e São Miguel, um acontecimento que haveria de ter uma influência profunda, não só na história da Capitania, como no próprio sistema de relações de Portugal com a sua Colônia. Ali, naufragou a nau Nossa Senhora da Ajuda. Nela, viajavam para Lisboa, o primeiro bispo do Brasil, D.Pero Fernandes Sardinha. Mais de cem pessoas foram assadas e devoradas pelos caetés, salvando-se apenas dois índios baianos e um língua (intérprete) português.

Trechos do livro “Alagoas” do Escritor Ledo Ivo, pertencente à Coleção Nosso Brasil

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