6 de abril de 2020

    Gnose e o conhecimento Divino – Religiões

    Gnose e o conhecimento Divino – A história afirma que nos primeiros tempos do Cristianismo, os gnósticos são considerados como os hereges, em desacordo com a religião cristã ortodoxa. Entretanto, sob o ponto de vista filosófico, Gnose é “a ciência divina”, é o “conhecimento revelado”, é “aquilo que advém da experiência interior e direta das grandes verdades e realidades da vida que se processam simultaneamente nesta e em outras dimensões do universo”. Literalmente Gnose, significa “conhecimento”, mas não o simples conhecimento acadêmico, e sim, o “conhecimento revelado” ou “conhecimento divino”.
    Como tantos outros de seu tempo, Karl Gustav Jung, nascido em 26 de julho de 1875, no lugarejo de Kresswil, Cantão de Thurgau, Basiléia, Suíça foi, e talvez ainda seja, vítima do julgamento a que ficou exposto devido ao conhecimento que buscou trazer à luz. Para muitos, Jung é considerado um homem religioso, um místico, um bruxo, um esoterista (não sendo esta a opinião que ele fazia de si mesmo). Mas, em vida sempre se negou a seguir e a professar a doutrina de seu pai, um pastor luterano, ou qualquer outra religião ortodoxa. Sua inquietante busca pelos conhecimentos espirituais só foi concretizada quando teve acesso à “Divina Gnosis” e à “Alquimia” – justamente duas formas do conhecimento antigo muito ligadas ao gnosticismo clássico. Jung, como os gnósticos, negava-se a fazer parte de um sistema religioso inerte. Por isso, dedicou sua vida à busca, à compreensão e à explicação de Deus como algo vivo, concreto e experimentável, fazendo dessa busca a base de todo o seu trabalho. Como conseqüência dessa atitude, que sustentou ao longo de toda sua existência, de um lado conseguiu o desprezo dos religiosos, crentes e teólogos por jamais aceitar as repetições de uma fé destituída de vida e conteúdo, e de outro, recebeu o descaso e o escárnio dos supostos homens de ciência (os que se dizem homens de saber). É que Jung não via nenhum inconveniente em mesclar Deus com os objetos da pesquisa científica ortodoxa, uma ação que escandaliza ainda hoje as mentes acadêmicas. 
    É neste ponto que jaz o grande desafio de levar ao público não-iniciado os mistérios da Divina Gnosis, a mesma que deu a Jung e a tantos outros gnósticos as respostas que buscava para suas inquietudes espirituais. Aqui já vemos a primeira e grande diferença entre um “gnóstico” e um “crente”. O gnóstico sabe por experiência direta; não precisa seguir a orientação de nenhum outro homem, nem a religião, nem a ciência. Já o crente é um seguidor, e, tudo que julga saber é extraído do trabalho de outras pessoas, jamais conhecendo por experiência própria. Um gnóstico não tem opiniões; ele vivencia por si mesmo as verdades e realidades do mundo, da vida e do universo. Um crente só tem opiniões porque jamais experimentou coisa alguma por si mesmo. Somente se limita a ler, a acreditar e a seguir teorias e dogmas, sejam eles científicos, filosóficos ou religiosos. 
    Contrariando as afirmações dos não simpatizantes da Gnose, o gnóstico não é um fanático nem um inimigo social ou das religiões. Um gnóstico, simplesmente, quer saber por si só, diretamente, sem intermediários, e ir além da esfera das opiniões pessoais e das especulações meramente intelectuais. O gnóstico trabalha com capacidades desconhecidas de cognição que estão dentro de si para experimentar diretamente as grandes verdades do mundo real. Todas as controvérsias que surgiram nos primeiros tempos do Cristianismo, as quais ainda subsistem no mundo atual, são devidas, justamente, ao fato de a Gnose designar um conhecimento mais profundo das verdades dogmáticas que eram apresentadas aos fiéis da época. Teódoto, por exemplo, conceituava que “a filosofia gnóstica é como uma espécie de visão imediata da verdade”, ou seja, a gnose é algo distinto da simples erudição adquirida através de leituras e estudos teóricos (e isso se reveste de grande importância). Sem nenhum resquício de fanatismo, e apenas para destacar um aspecto da gnose em seu mais exaltado grau, o fato é que as lideranças políticas e religiosas de todos os tempos sempre temeram e detestaram a gnose e os gnósticos exatamente por causa da implicação social das possibilidades que esse conhecimento oferece: um gnóstico não depende de ninguém e de nada porque se desapegou de tudo e de todos. Vive de Deus e para Deus.
    Buscando uma maior compreensão da profundidade das implicações dessa realidade, basta examinarmos algo da história e das tradições religiosas antigas. Por exemplo, Jesus respeitava as leis, a sociedade, a família, o governo. Mas, não era dependente de nenhum desses sistemas da época, principalmente o religioso. Ele agregou tal poder em si mesmo que, literalmente, tudo lhe era possível. Moisés, pelo poder divino que reuniu em si, conseguiu libertar o povo hebreu do cativeiro no Egito, contra a vontade do Faraó. Buddha, quando conheceu a realidade da vida, largou tudo e buscou a iluminação (ou libertação do jugo e dos poderes da matéria). Enoch, pela sua fé e devoção, foi levado ao céu em corpo e alma. Isaías foi serrado ao meio porque se negou a comer alimento servido aos ídolos ou falsos deuses. Sócrates tomou cicuta e morreu feliz defendendo suas idéias até o último instante. Jâmblico, o grande mago, podia materializar Anjos e deuses, e com eles conversava frente a frente. Samael Aun Weor, no século XX, devotou toda sua vida à causa gnóstica e espiritual. Agora, no alvorecer do III Milênio, assistimos ao surgimento do divino Babaji Igazan Bindu (o fundador do Binduísmo) que, por 30 anos, dedicou-se à vida espiritual, convertendo-se num autêntico Mestre de Sabedoria.
    Diante do que foi exposto podemos concluir que gnóstico é aquele que decidiu dedicar toda sua vida ao caminho espiritual verdadeiro, autêntico, que leva diretamente à realização divina dentro de si mesmo, sem precisar se guiar por qualquer orientação de terceiros.

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