28 de março de 2020

    Gaucho Tradicionalista – RS

    Gaucho Tradicionalista – As peculiaridades da ocupação do extremo sul do país marcaram profundamente sua cultura. A luta constante pela posse da terra e a exploração do gado bovino na imensidão do pampa desenvolveram no rio-grandense um intenso sentimento nativista, traduzido pelo amor a terra e a tudo relacionado com a atividade da pecuária, usos e costumes da vida campeira; diz-se por aqui que o gaúcho tem duas pátrias: a pequena e a grande.

    Este amor à terra e o apego à tradição pastoril determinaram entre nós o surgimento de uma forma – única no mundo – de culto às tradições, com a fundação, em 1948, do primeiro CTG – Centro de Tradições Gaúchas, o “35 CTG”. Hoje são em torno de 2.000 Centros filiados ao MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho, entidade que congrega e orienta sobre assuntos que envolvem o tradicionalismo no RS. Este movimento de culto às tradições, após o impulso inicial, ultrapassou as fronteiras do estado e também do país, sob o lema ” Em qualquer chão – sempre gaúcho!”

    Num CTG, que reproduz simbolicamente as atividades de uma típica estância gaúcha, existem departamentos – chamados Invernadas – destinados a sistematizar o culto das tradições. A Invernada Cultural cuida da biblioteca, museu, cursos, palestras e conferências; a Invernada Campeira cuida das lidas gauchescas (rodeios, cavalgadas, desfiles e demonstrações) e a Invernada Artística trata da música, canto, dança, poesia e tudo relacionado a arte dentro de um CTG.

    O gaúcho tradicionalista dá grande importância à indumentária típica, de uso obrigatório e regulamentado dentro do CTG e fora dele em ocasiões especiais. O homem, chamado “Peão”, usa bombachas, botas, camisa, faixa na cintura, guaiaca (cinta larga com vários compartimentos), colete, casaco, poncho ( pesada veste de inverno), lenço atado ao pescoço e chapéu. E a mulher, a “Prenda”, usa um vestido de chita estampada ou lisa, com passa-fitas, apliques, babados e rendas, de uma só peça, com a barra da saia à altura do peito do pé, bombachinhas até a altura do joelho, meias longas, sapatos de salto grosso e cabelos soltos ou em trança, enfeitados com flores ou fitas.

    Mas todo o gaúcho ou gaúcha, mesmo que não seja “de carteirinha” cultua nossas tradições. Seja tomando um chimarrão, solitário ao amanhecer ou numa roda de amigos nos fins de tarde, seja reunindo a turma aos domingos para saborear um autêntico churrasco ou, ainda, ouvindo música regionalista gauchesca ou lendo a extensa poesia tradicionalista, ou simplesmente sentindo-se gaúcho – que alguém disse ser um estado da alma: nossa forma toda especial de sermos brasileiros. Com muito orgulho.

    Bibliografia básica consultada:
    FAGUNDES, Antonio Augusto. Curso de Tradicionalismo Gaúcho, Porto Alegre,Martins Livreiro, 1995)
    CASTILLO, Carlos. Fogão Campeiro. Porto Alegre, Martins Livreiro, 1995.

    Sobre o Autor

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