24 de fevereiro de 2020

    Diferença de Idade no Campo Profissional – Comportamento

    Diferença de Idade no Campo Profissional – De um lado a energia, do outro a experiência. O que acontece quando mulheres com idades, idéias e histórias diferentes, mas decididas a investir na carreira, se encontram no ambiente de trabalho. Uma era adolescente no fim dos anos 60, assistiu a passeatas feministas, curtiu a Jovem Guarda, no final da faculdade saiu à caça de estágio para iniciar a carreira em uma boa empresa e dez anos depois fez a primeira viagem ao exterior. Hoje, com mais de 40 anos e com filhos independentes, volta a investir pesado na carreira. A outra tinha 13 anos quando foi à Disney World (já falando inglês), com 18 rodou pela Europa levando um cartão de crédito na mochila, aos 21 terminou a faculdade e agora, com 25, chegou ao primeiro emprego – com um currículo atestando o MBA em uma universidade americana. Essas duas mulheres, com idades, idéias e histórias diferentes, convivem em média 8 horas por dia entre as paredes de um mesmo ambiente de trabalho. Cá entre nós: você acha que vai rolar um certo conflito entre elas?
    Muitas vezes não – desde que uma entenda e respeite as qualidades e os defeitos da outra e aprenda com os contrastes. Mas as coisas podem não ser tão simples. Quando o mal-estar entre as mulheres de gerações diferentes se instala, pesa para todo mundo. A nova reconhece na mais velha os defeitos da mãe, da avó, da professora ou de qualquer outra pessoa com idéias que a incomodaram. A de 40, por sua vez, não aceita que a tal “menina” dite ordens e ambicione o posto de chefia, exibindo o currículo cheio de cursos e usando modelitos que ela jamais teria coragem de vestir.
    Resultado: mesmo inconscientemente, uma corre o risco de ficar de pé atrás em relação às atitudes e posições que a outra defende.
    Falta de humildade – Os exemplos estão por toda parte. Pode ser na empresa que acabou de promover a recém-chegada em detrimento das funcionárias antigas, que há anos aspiravam pelo cargo. Ou no escritório onde a estagiária de secretariado luta diariamente para conquistar um espaço no território delimitado e controlado pela assessora do chefe há vinte anos. Em qualquer um dos casos, o trabalho se transforma em uma arena em que o despeito e o preconceito só prosperam.
    Puxada de tapete – Os conflitos entre os colegas de gerações diferentes não costumam ser alardeados. É uma batalha silenciosa em que informações são sonegadas, elogios economizados e puxadas de tapete podem ocorrer a qualquer momento. Especialmente se a mais nova vira chefe. “É uma inversão da ordem natural das coisas e isso incomoda”, analisa a psicóloga Ida Kublikowski, mestre da PUC de São Paulo. “Diferentemente dos homens, mais acostumados a competir, somos desajeitadas nessas situações e tendemos a misturar ingredientes pessoais na disputa.”
    Segundo a psicóloga, em um mundo em que a juventude é cada vez mais valorizada e a velhice parece, equivocadamente, ser culpa da mulher que se descuida e não corre atrás de ginástica, lipoaspiração e peeling, a profissional mais velha sente-se insegura com facilidade.
    E nas jovens, o que dói nessa relação? “Existe uma resistência por parte das mulheres mais maduras a aceitar o novo. Se expomos idéias diferentes, elas sentem-se invadidas, reagem com desconfiança e insistem em nos considerar novatas para questionar o que já está estabelecido”, diz a gerente de marketing Flávia Attie, 24 anos. Mesmo com diploma de pós-graduação e falando inglês fluentemente, ela encontrou certa dificuldade em se impor no cargo de liderança devido à aparência jovial demais. “Precisei estar mais segura e consciente da minha competência para ser respeitada.”

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